quarta-feira, 13 de março de 2019

Uma escola de fascistas



Os programas policiais são bem pensados e elaborados, com todos os detalhes minimamente pensados e construídos, visando formar protofascistas, inimigos da vida, da dignidade e dos direitos humanos, legiões de estúpidos e reacionários, que sempre babarão em busca de sangue e para poderem satisfazer sua sede de vingança a qualquer oportunidade.

Pedro César Batista

Os programas policiais veiculados na televisão cumprem um papel deformador na sociedade, formando pessoas violentas, que acreditam que se deve ter como regra o desrespeito aos direitos humanos e garantir a força dos mais fortes, como meio de dar segurança à população. Estes programas são veiculados principalmente no horário de almoço e antes do jantar, quando as famílias estão reunidas, levando a cada lar imagens de criminosos sendo humilhados, violentados ou achincalhados por policiais ou pela população enfurecida, buscando fazer justiça com as próprias mãos.

Nesses programas é comum ver pessoas que praticaram algum ato criminoso, após serem presas, sofrerem agressões físicas e humilhações, com os cinegrafistas pegando imagens que ressaltam a força da polícia e de quem está subjugando o acusado de pratica criminosa. Os delinquentes, assaltantes ou assassinos ao serem presos e colocados nas grades dos camburões ou levados para as delegacias são mostrados como animais que precisam ficar enjaulados e sofrerem a crueldade do Estado.

Mesmo existindo normas, que deixam claro que qualquer acusado, mesmo se preso em fragrante, independente de qualquer crime, tem direito a defesa e a um julgamento, de acordo com a legislação, os programas policiais realizam a condenação e execração pública de acusados por crimes, muitas vezes em programas mostrados ao vivo e em cadeia nacional de televisão.

Os atos da polícia e da imprensa não respeitam as normas que tratam de julgamentos, muito menos do direito a defesa ou de direitos humanos, porém, os casos mostrados são de acusados pobres, pretos e moradores da periferia. Quando o acusado é branco ou rico, morador de áreas nobres ou detentores de poder econômico ou político o tratamento sempre é diferenciado. Inclusive o STF chegou a proibir o uso de algemas, após a prisão do banqueiro Daniel Dantas, uma lei que não chegou até o momento aos presos comuns.

Com essa propaganda de violência realizada de forma ostensiva, incentiva-se de forma cruel a violência entre as pessoas, passando a ideia de que é preciso fazer justiça com as próprias mãos e que a polícia está correta ao expor a forma dura e violenta com que se trata os presos. Significa que estes programas não apenas humilham os presos, vai além, realiza uma campanha educativa e de formação de pessoas para que não respeitem as leis, os direitos humanos e se tornem futuros assassinos e criminosos. A parcela da população mais influenciada é a pobre, que passa a despejar toda o sofrimento e dificuldades dos baixos salários, péssimas condições de vida e trabalho contra os seus iguais, considerando que os ricos são os melhores, pois conseguiram vencer na vida, enquanto os pobres são pessoas derrotadas, que não venceram as dificuldades.

Os programas policiais são bem pensados e elaborados, com todos os detalhes minimamente pensados e construídos, visando formar protofascistas, inimigos da vida, da dignidade e dos direitos humanos, legiões de estúpidos e reacionários, que sempre babarão em busca de sangue e para poderem satisfazer sua sede de vingança a qualquer oportunidade. Esses programas criaram essa massa estúpida que esta por ai, que votou em um candidato homofóbico, racista, misógino e machista, capaz de defender que se arme a sociedade para que cada um resolva com suas próprias mãos os conflitos, matando se for necessário, pois o que importa é dividir e alienar os mais necessitados, que aplaudirão a violência e os jornalistas áulicos do fascismo.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

O capitalismo é criminoso, o governo dos EUA o executor.



Defender a soberania, o respeito as suas normas e leis e o direito internacional , assegurando a autonomia de seu povo é a demonstração de quem nem todo mundo se deixa levar pelas mentiras que o imperialismo propaga por meio da imprensa que lhe serve. Assim como há nações que não se curvam, também há pessoas e organizações que sempre estarão dispostas a combater contra o invasor e opressor, seja quem for ou onde for. Não há outra direção, somente a defesa da vida e da construção de justiça social e da verdadeira liberdade é o que cabe a quem defende a dignidade humana.

Pedro César Batista

O capitalismo e seus serviçais são verdadeiros alucinados, ao aplicarem sem piedade suas políticas fascistas, para garantirem a preservação e aumento de suas riquezas e controle do mundo. Felizmente nem sempre existiu o capitalismo, portanto, também não é eterno.

O que verificamos na atualidade são inúmeros crimes cometidos pelos capitalistas, que usam governos como seus gerentes, garantindo o roubo das riquezas naturais, a exploração da classe trabalhadora, que é mantida na ignorância, sendo perseguida, enganada e muitas vezes assassinada diante da exploração, o envenenamento de alimentos, doenças ou as balas da polícia ou pistoleiros. Agem assim para assegurar que o 1% (um por cento) mais ricos da população mundial, proprietária da mesma riqueza que 99% (noventa e nove por cento) da população planetária possui. Assim mantem e aprofundam o fosso entre o punhado de ricos e bilhões de pobres e miseráveis no planeta.

Em O século do vento, Eduardo Galeano, faz uma trágica síntese dos massacres praticados contra os povos latinos americanos ao longo do século XX. São muitos crimes executados por militares a serviço da burguesia imperialista contra indígenas, camponeses, garimpeiros, mulheres, trabalhadores urbanos e crianças.

A matança contra o povo latino nunca parou. Durante décadas os EUA organizaram e sustentaram ditaduras assassinas no Brasil, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Nicarágua e Cuba. Agora vivemos uma nova ação criminosa contra o povo venezuelano, que sofre uma cruel propaganda midiática com mentiras e ameaças, reforçadas pelos governos da Colômbia e Brasil, que assumem o papel de serviçais das petroleiras que querem roubar o petróleo da Venezuela. Os EUA querem fazer o mesmo que fizeram no Iraque e na Líbia, espalhando mentiras, que são replicadas pela grande mídia, como fossem verdades. Usam para isto um agente traidor do povo desse país, o qual se autointitulou presidente, sem nem mesmo ter concorrido a eleição presidencial, em maio do ano passado, quando concorreram 16 candidatos e foi vencida, com mais de 67% dos votos por Nicolás Maduro. Para impor o projeto saqueador e criminoso, os EUA, com seus agentes lacaios da Colômbia, Brasil, Venezuela e de outros países, ameaçam com uma invasão militar. Mesmo depois de provocarem uma grave crise econômica, com o bloqueio de bilhões de dólares, usam o argumento de uma “ajuda humanitária”, que nem mesmo a Cruz Vermelha Internacional reconhece essa natureza, em face dos bloqueios, ameaças e sabotagens executadas pelos agentes dos EUA.

O que se vê é que os líderes que efetivamente são nacionalistas e defendem os interesses de seus povos, tornam-se alvo de ações conspirativas e de sabotagem dos grandes capitalistas e seus agentes. No Brasil, cassaram a presidenta Dilma Rousseff e prenderam Lula, em processos falsos e arbitrários, sustentados pela mídia e o judiciário. O mesmo ocorreu em Honduras e no Paraguai. Agora, querem invadir a Venezuela. O próprio serviçal dos EUA, autointitulado presidente, disse que não importa o número de mortos pra derrotar o governo Maduro. Por isso, querem uma guerra, complementar aos criminosos ajustes financeiros do Banco Mundial, do FMI e das Bolsas de Valores.

O que fica evidente é que para os grandes capitalistas e seus serviçais em governos, liderados pela Klu Klus Kan, que comanda a Casa Brança, o que importa é seguir a ocupação de países, os saques de riquezas nacionais, os genocídios de povos, trabalhadores, mulheres, jovens e indígenas para terem a liberdade em praticarem seus roubos e crimes livremente. A obsessão do fascista Donald Trump em construir o muro na fronteira dos EUA com o México comprova o quanto a xonofobia é criminosa, inclusive com a morte de crianças dentro de prisões norte americanas. São muros em campos de concentração, como o de Trump ou o de Israel contra o povo palestino, que a mídia esconde. Genocídios acobertados pela imprensa.



Entretanto, a história se desenvolve, não fica estática. Se houve um tempo em que a burguesia enfrentou a violência da nobreza, mas conseguiu vencer e chegar ao controle da economia e dos Estados, caminhamos a um novo tempo, quando a classe trabalhadora terá o controle das riquezas, colocando-as a serviço da vida e da dignidade humana, construindo o socialismo. E é justamente por isso, que os cadáveres insepultos da burguesia, dos grandes capitalistas e seus lacaios demonstram tanta virulência e raiva. Logo o capitalismo e a burguesia, que se sustenta na exploração e com o obscurantismo, assumiram o mesmo lugar da nobreza, ficando apenas a história se seus crimes e roubos das riquezas e da trabalho. A humanidade não findou seu desenvolvimento social, segue sua caminhada e será capaz de colocar no devido lugar os fascistas, verdadeiros cães loucos, que desesperados propagam e praticam o ódio, a intolerância e a violência.

Defender a soberania, o respeito as suas normas e leis e o direito internacional , assegurando a autonomia de seu povo é a demonstração de quem nem todo mundo se deixa levar pelas mentiras que o imperialismo propaga por meio da imprensa que lhe serve. Assim como há nações que não se curvam, também há pessoas e organizações que sempre estarão dispostas a combater contra o invasor e opressor, seja quem for ou onde for. Não há outra direção, somente a defesa da vida e da construção de justiça social e da verdadeira liberdade é o que cabe a quem defende a dignidade humana.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Uma longa caminhada por direitos e justiça

Saímos das cavernas, superamos a escravidão, depois derrotamos a servidão, chegando a indústria com sua produção em larga escala e aos tempos de alta tecnologia, como resultado do trabalho, da capacidade organizativa e produtiva de homens e mulheres que deixaram o sangue, a dor e sacrifício.



Pedro César Batista

Em centenas de milhares de anos os diversos tipos de homos conseguiram domesticar os animais, as plantas, descobrir o fogo e desbravar o espaço. Saímos das cavernas, quando disputávamos carniças com outros animais para um tempo em que computadores realizam complexas cirurgias cardíacas, garantem uma comunicação interplanetária de alta qualidade e uma elevada produtividade de bens e serviços em todas as áreas.

Conseguimos superar a crueldade em suas formas mais primitivas, desenvolvendo formas de relacionamento e convivência social, sustentada no respeito, solidariedade e com normas bem estabelecidas em relação ao direito individual e coletivo entre comunidades e nações.

Ainda assim, há quem pensa ser uma escolha divina para decidir os destinos de pessoas e povos, que tudo faz para manter seus privilégios, assegurar a exclusão da grande maioria da população do acesso ao conhecimento científico e da qualidade de vida compatível aos tempos modernos. Tudo que a humanidade obteve ao longo do tempo foi resultado da ousadia, coragem e combate dos que produziam as riquezas e eram alijados do acesso ao resultado de seu trabalho. Nada foi presente de algum governo ou setores dominantes.

Uma caminhada sem fim, com uma trajetória repleta de ciladas, desvios e precipícios, que permanece a frente da espécie humana e de todos os seres vivos do universo.

Assegurar que o desenvolvimento histórico continue exige a superação da prática de exploração de homens e mulheres por outras mulheres e homens, romper a prática da cruel exploração contra as classes oprimidas, praticadas por classes que acumularam riquezas graças à violência em todas as suas formas. Os herdeiros das classes opressoras seguem criando justificativas, buscam seguir controlando as riquezas e o conhecimento produzido por homens e mulheres que vendem sua força de trabalho, manual ou intelectual.

Os sapiens avançaram no tempo por ousarem descobrir o desconhecido, enfrentar forças aparentemente instransponíveis, mais fortes e cruéis. Assim se enfrentou o frio, a fome e a violência dos senhores escravagistas, da nobreza e é necessário encarar a burguesia e suas armas, sua violência e mentiras. No passado a burguesia foi ousadia na luta contra a nobreza, agora cabe à classe trabalhadora fazer um novo tempo, construir o mundo socialista. Construir um mundo de justiça, igualdade e paz entre as pessoas e as nações. Chegamos aqui e muito mais longe somos capazes de chegar.

Saímos das cavernas, superamos a escravidão, depois derrotamos a servidão, chegando a indústria com sua produção em larga escala e aos tempos de alta tecnologia, como resultado do trabalho, da capacidade organizativa e produtiva de homens e mulheres que deixaram o sangue, a dor e sacrifício.

É preciso olhar para trás, ver a longa marcha da história da humanidade, que nos permitiu chegar aqui, assim conseguiremos desmascarar os opressores e exploradores que, com suas velhas mentiras, sempre usadas para tentar impedir que um novo tempo seja conquistado, sigam impondo o medo, a dor e a morte. Somos a conquista da vida e da justiça. Somos a vida e a resistência.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O renascimento da morte

O inesperado virá, pois o amanhã se torna cada dia mais incerto.

Pedro César Batista



Alguns discursos que escuto mostram que vivemos uma verdadeira tragédia. Não tem hora, nem local, nem nível social, pessoas de vários extratos sociais, afirmam certas sandices perigosas, aparentemente surreais, por remontarem a idade média, mas quem fala acredita no que diz.

Ouvir que o deputado Jean Wyllys deixou o Brasil por ser o patrocinador de Adélio, o suspeito de ter praticado a suspeita facada no presidente eleito; ouvir, de um diretor de uma entidade de autores da Capital Federal, que o PT governou o Brasil por 30 anos; ouvir que o capitão era o que havia de melhor para combater a corrupção no Brasil (discurso mais forte na sociedade); ouvir que é preciso defender a moral e os bons costumes; ouvir que é preciso retirar direitos dos trabalhadores para garantir empregos; ouvir que é preciso privatizar a saúde, a previdência, criar vagas em presídios, implantar o ensino infantil à distância, que é preciso garantir direitos ao patronato. Muitos desses argumentos, ouvi de autores durante uma feira de livros, em tese, um segmento que lê e é crítico, por ter informações. Teve ainda, na mesma feita, aquele, aplaudido e adorado por muitos, que falou solenemente: não me envolvo com política.

Apesar de a humanidade ter vivido situação semelhante na década de 1930, na Alemanha, quando intelectuais, artistas e amplos setores médios apoiaram um cabo que comandou uma guerra que deixou dezenas de milhões de mortos, a história se repete como tragédia. Naquele período, famílias que residiam ao lado de campos de extermínio, onde se exalava a fumaça de corpos queimados nas câmaras de gás, seguiam a vida normalmente, como se nada ocorressem ao seu redor.

Aqui no Brasil, na eleição de 2018, um grupo de milicianos, que atua matando e extorquindo, elegeu parlamentares e a direção de vários governos em todos os níveis. O governador do Rio de Janeiro, um ex-juiz federal e ex-fuzileiro naval, sem nenhum pudor, disse: vamos acertar na cabecinha. Falava da matança que pretende executar em seu governo. No Distrito Federal, o governador colocou policiais militares dentro de escolas. No Goiás, o fundador da UDR, entidade que matou dezenas na década de 1980, venceu o pleito. E agora, o justiceiro, que prendeu o ex-presidente Lula, baseado em delações do proprietário da OAS, virou ministro e o delator de Lula teve seu genro nomeado para Presidência da Caixa Econômica Federal, apresenta um programa de segurança, que retira as garantias fundamentais e institucionaliza a pena de morte, quer garantir o direito de matar e prender sem preservar a legalidade e os devidos direitos legais. Quer tornar o arbítrio legal. Os poderes do Estado que deveriam assegurar a legalidade constitucional, as normas e os direitos individuais, têm sido os primeiros a passar por cima da Constituição Federal.

Onde isto terminará é imprevisível. As organizações sindicais e populares parecem estar anestesiadas. A Vale matou centenas em Brumadinho (MG) e não se vê a mobilização social para que os responsáveis sejam punidos ou a sensibilização quando ocorrem atentados terroristas em outros países. Na noite que antecedeu a posse do capitão, gabinetes de oito deputados federais do PT foram arrombados e ficou por isso mesmo. Nem mais se falou no assunto. O capitão, que venceu uma eleição utilizando-se largamente de mentiras, em nenhum momento foi inquirido pelo poder judiciário. Nem durante a campanha, nem após a eleição.

A mídia continua propagando mentiras sobre o Brasil e o mundo, com destaque para a farsa de um golpista que busca desestabilizar o legítimo governo da Venezuela, com os EUA e governos lacaios ameaçando, sabotando e bloqueando as riquezas desse país, para que o governo norte-americano consiga roubar o petróleo venezuelano, como fizeram no Iraque e na Líbia.

Apesar de tudo isso, as forças vivas da sociedade permanecem estáticas. Enquanto escuto autores falarem de moral e bons costumes, outros, ainda acreditam que existiu a distribuição de mamadeiras de piroca e de kits gay. Um mundo que nem Franz Kafka imaginou. O inesperado virá, pois o amanhã se torna cada dia mais incerto.

Desenho: charge soviética - autor desconhecido (1943)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Cuba rechaça energicamente a ameaça de ativação do título III da Lei Helms Burton

O governo de Donald Trump age de maneira provocativa, acintosa e executando crimes econômicos e financiando guerras e o terrorismo contra os povos que não se sujeitam a serem seus lacaios, que não se curvam para se tornarem escravos do imperialismo. Assim, seguem ameaçando e sabotando Cuba, especialmente, com o bloqueio econômico criminoso que fazem há 56 anos contra a ilha, causando prejuízos econômicos e sofrimento ao povo, passando por cima de todas as votações na ONU, as quais rechaçam e denunciam este criminoso bloqueio praticado pelos EUA.
Somos solidários ao povo e governo cubanos, que têm mostrado sua inquebrantável unidade e força para enfrentar o imperialismo, que segue espalhando mentiras, mortes e saqueando nações e povos por todo o planeta.
Cuba, com seu heroico e glorioso povo, segue firme na construção de uma sociedade justa, igualitária e socialista.



Declaração do Ministério das Relações Exteriores de Cuba

. Autor: Ministério das Relações Exteriores de Cuba | internet@granma.cu

Em 16 de Janeiro, 2019, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a decisão de suspender apenas para 45 dias a aplicação do Título III da Lei Helms-Burton “para conduzir uma revisão completa… à luz dos interesses nacionais EUA e esforços para acelerar a transição para a democracia em Cuba, e incluem elementos tais como a opressão brutal do regime contra os direitos humanos e as liberdades fundamentais e os regimes de apoio indesculpáveis cada vez mais autoritários e corruptos na Venezuela e Nicarágua. ”

O governo do presidente Donald Trump ameaça dar um novo passo que reforçaria, perigosamente, o bloqueio contra Cuba, violaria flagrantemente o Direito Internacional e atacaria diretamente a soberania e os interesses de terceiros países.



Cuba rejeita essa ameaça da maneira mais enérgica, firme e categórica. Assume-o como um ato hostil de extrema arrogância e irresponsabilidade, ao mesmo tempo em que repudia a linguagem desrespeitosa e caluniosa da mensagem pública do Departamento de Estado.

A Lei Helms-Burton entrou em vigor em 1996. Ele foi projetado para codificar e endurecer a política de bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto oficialmente em 1962, com o objetivo de subverter e derrubar o governo de Cuba e impor um regime de governo prazer Dos Estados Unidos.

Consiste em quatro títulos e é aplicado desde sua promulgação. É caracterizada por seu alcance extraterritorial extremo, como viole as normas e princípios do direito internacional, que violem as regras do comércio internacional e das relações económicas e ser prejudicial para a soberania de outros estados, principalmente através da implementação de suas disposições contra empresas e pessoas estabelecidas no território destes.

Ele foi rejeitado pela comunidade internacional quase por unanimidade nas Nações Unidas, em organizações internacionais especializadas e em organizações regionais como a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos e a União Africana. Vários países têm leis nacionais para lidar com os efeitos extraterritoriais dessa lei.

Entre os objetivos centrais da Lei Helms-Burton está o de impedir as relações econômicas, comerciais e financeiras de Cuba com países terceiros e afetar sua capacidade de atrair investimentos diretos de capital estrangeiro para seu desenvolvimento. Para este efeito, os títulos III e IV da lei são expressamente dedicados.

Título III estabelece a autorização para cidadãos norte-americanos para enviar aos tribunais dos Estados Unidos afirma contra qualquer estrangeiro que “tráfegos” com propriedades norte-americanas que foram nacionalizadas em Cuba na década de 1960, em um processo legítimo, como reconhecido pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos, realizada pelo governo cubano em total conformidade com a legislação nacional e o direito internacional.

Entre as aberrações mais significativas, este título estende esta autorização a proprietários que não eram cidadãos dos Estados Unidos na época das nacionalizações e cujas supostas propriedades ninguém certificou.

De acordo com as disposições da Lei Helms-Burton, todos os presidentes dos EUA desde 1996, incluindo Trump em 2017 e 2018, fizeram uso consecutivo do poder executivo para suspender a aplicação do Título III a cada seis meses para reconhecer que consiste no aspecto mais grosseiro e inaceitável disso contra o Direito Internacional e a soberania de outros Estados. Também para entender que sua aplicação causaria obstáculos intransponíveis para qualquer perspectiva de resolver as reclamações e indenizações aos legítimos proprietários americanos.

Por sua parte, o Tribunal Popular Provincial de Havana, em 2 de novembro de 1999, declarou a Con Plaña o processo contra o Governo dos Estados Unidos por danos humanos e sancionou-o para reparar e compensar o povo cubano no valor de $ 181 milhões de dólares e, em 5 de maio de 2000, também por danos econômicos causados ​​a Cuba e condenados a US $ 121 bilhões.

O Ministério das Relações Exteriores reiterou a disposição de Cuba de encontrar uma solução para as reivindicações e compensações mútuas.

Essa decisão que o governo dos Estados Unidos ameaça adotar implicaria que, contrariamente ao estabelecido no Direito Internacional e na prática das relações internacionais, indivíduos e entidades estrangeiras com negócios legítimos em Cuba podem enfrentar a ameaça de enfrentar reivindicações. Infundada e sem legitimidade perante os tribunais dos Estados Unidos. O comportamento politicamente motivado e venal de alguns tribunais em La Florida, frequentemente usado como arma contra Cuba, é bem conhecido.

Para o nosso povo, implica enfrentar mais uma vez, de maneira firme, consciente e contundente, a determinação do imperialismo norte-americano de submeter o destino da nação cubana ao seu domínio e tutela.

Se o título III é aplicável, conforme estabelecido por esta lei e ameaça o anúncio do Departamento de Estado, qualquer cubana e toda comunidade no país iria ver como eles se apresentam perante os tribunais nos Estados Unidos reivindica a posse de habitação que ocupam local de trabalho onde trabalham a escola que seus filhos frequentam a policlínica onde recebem atendimento médico, a terra onde seus bairros são construídos; e pode verificar a pretensão de usurpar os cubanos a riqueza do país, infraestrutura, terras aráveis, as indústrias, os recursos minerais, potencial energético e à base sobre a qual a ciência e tecnologia são desenvolvidos e os serviços são prestados para a população.

Devemos todos lembrar o conteúdo aberrante do Plano Bush que descreve e implementa em detalhes como as famílias cubanas e o país seriam privados de praticamente tudo.

Por mais de vinte anos, a Lei Helms Burton guiou os esforços intervencionistas dos setores anticubanos nos Estados Unidos para atacar a nação cubana e minar sua soberania. Em virtude de sua aplicação, centenas de milhões de dólares foram aprovados para subverter a ordem interna em Cuba e inúmeras medidas foram tomadas para tentar provocar uma mudança de regime. Seu efeito econômico implicou um alto custo para os esforços de desenvolvimento do país e para o bem-estar da população, com um impacto humanitário que não é maior graças ao sistema de justiça social que prevalece em Cuba.

A reivindicação de aplicar plenamente o Título III é promovida contra os critérios de importantes agências do governo dos Estados Unidos e como consequência do poder e influência que o governo alcançou pessoas cuja carreira política foi marcada por ressentimento impotente contra Cuba e dependeu do uso de mentiras e chantagens.

A maioria da opinião pública dos Estados Unidos constantemente se opõe ao bloqueio econômico, como reconhecido pelos levantamentos mais qualificados.

A história registra com suficiente clareza que a política de bloqueio econômico e problemas bilaterais entre Cuba e os Estados Unidos não se originou em nacionalizações justas que de acordo com a lei e direito legítimo realizaram o governo revolucionário. As agressões militares, econômicas e terroristas do governo dos Estados Unidos começaram contra Cuba antes que ocorressem os atos fundamentais de nacionalização das propriedades americanas.

Sabe-se que todas as nacionalizações de propriedades estrangeiros, incluindo americanos, fornecidos em lei o compromisso de compensação, o governo dos Estados Unidos recusou-se até mesmo a discutir, enquanto em si foi assumida pelos governos dos requerentes de outros países, todos que desfrutou da devida compensação.

O Ministério das Relações Exteriores reitera os princípios da Lei de Reafirmação da Dignidade e Soberania de Cuba (Lei No. 80), e salienta que a Lei Helms-Burton é ilegal, ineficaz, sem valor ou efeito legal. Consequentemente, considerará nulo qualquer reivindicação coberta por ele como pessoa física ou jurídica, qualquer que seja sua cidadania ou nacionalidade.

O governo de Cuba se reserva o direito de responder prontamente a essa nova agressão.

Havana, 17 de janeiro de 2019

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Todos não são iguais

Gregório Ega



Quem diz que todos os políticos são iguais precisa usar um pouco o raciocínio. Usar o cérebro não cansa, ajuda a desenvolver o intelecto e permite ampliar os horizontes na vida cotidiana.

Nada é igual, menos ainda os políticos. Vejamos. Têm aqueles que foram eleitos com apoio ostensivo de latifundiários (fazendeiros proprietários de grandes áreas rurais). Para se ter uma ideia 42% das áreas agrícolas do Brasil, o equivalente a 242.795.142 hectares, estão nas mãos de 0,8% de proprietários (39.250 famílias). Na outra situação, aqueles que têm pouca terra, representam 1,4% de todas as terras (até 10 hectares), reunindo 33,7% de proprietários (8.215.337). Usando o cérebro, vejamos, menos de 1% de proprietários, de um total de mais de 570 milhões de hectares, tem 42% das áreas de todo o país. Enquanto há dezenas de milhares acampados nas beiras de estradas lutando por um pedaço de terra. Vejamos.

A política reflete a organização da sociedade. Quais os setores mais organizados?

O governo de Temer, congelou por 20 anos o orçamento para as políticas sociais, a chamada PEC do Fim do Mundo. Ficou sabendo disso? Pois. Não saiu assim na Globo. Lá disseram que era para controlar os gastos públicos. Fizeram uma reforma trabalhista. Deram ao patrão o poder de fazer “acordo” com o emprego, independente da lei, que deixou de valer em caso de “acordo”. Significa, se o patrão oferecer determinadas condições, o trabalhador não poderá alterar, nem recorrer ao sindicato. Se não concordar, tem uma multidão de desempregados em busca de um trabalho. Acabaram com o Ministério do Trabalho. O capitão agora disse que quer acabar com a Justiça do Trabalho. Também dizem que a reforma da previdência é necessária. Que falta dinheiro. Ao mesmo tempo, os bancos recebem diariamente, a título de pagamento dos juros da dívida pública, mais de 2 bilhões de reais. Entendeu. Diariamente mais de 2 bilhões de reais. Por ano chega a aproximadamente 1 trilhão de reais. Nestes primeiros dias de um novo velho governo, o capitão disse que perdoará 17 bilhões de reais de dívidas dos fazendeiros. Sim aqueles que detêm mais de 42% das terras e representam 0,8% dos proprietários.

Dá para pensar um pouco.

Veja. Não tem dinheiro para aumentar 8 reais o salário mínimo, a saúde público enfrenta o sucateamento do SUS, as escolas públicas sendo desmontadas, os trabalhadores não podem ter direitos, se quiserem ter empregos, sem esquecer que tem que fazer a reforma da previdência. Mas paga diariamente mais de 2 bilhões aos banqueiros e perdoa 17 bilhões dos fazendeiros.

Quem garante que isto ocorra? Quem decide o que ser feito? Quem decide a vida das pessoas? São os políticos. E quem são a maioria dos políticos (vereadores, deputados e senadores)? Quem eles representam?

Quem são os políticos contra a reforma trabalhista, contra o congelamento dos recursos públicos para as politicas sociais, contra a concentração da terra e contra o pagamento de juros da dívida pública? Quem são? Existem? Sim. São aqueles que estão nas ruas enfrentando a polícia, no parlamento enfrentando as mentiras da Globo. Infelizmente são poucos, mas eles existem e estão na luta.

Agora vejamos outra questão.

Será que a vida de cada pessoa depende de fato dela? Vejamos um exemplo. O filho do novo vice-presidente, gen. Mourão. O rapaz trabalha há 20 anos no Banco do Brasil e foi promovido para uma assessoria da Presidência do Banco, com salário mensal de aproximadamente 40 mil reais, mais um bônus, a cada dois anos, de dois milhões de reais. Será que qualquer funcionário do BB teria esta oportunidade?

Vamos ver mais.

Uma criança, que desde cedo se alimenta bem, estuda em boas escolas, com acesso as artes, esportes e todas as oportunidades, tornando-se, ainda adolescente, um estudante universitário. Esta mesma pessoa, antes dos 30, terá feito mestrado e terá o título de Doutor, tendo viajado por vários países e falando vários idiomas.

Na outra ponta, aquela criança, que não tem o pai latifundiário, nem proprietário de grandes indústrias ou bancos ou mesmo filha de general, um vice-presidente da República, como será a sua vida? Na infância sofrerá todas as dificuldades junto com seus pais para se alimentarem, vestirem-se, cuidar da saúde. Estudará em escolas sucateadas, com professores, apesar de dedicados, com baixos salários e sem recursos para ensinar. Quando adoecer enfrentará todas as dificuldades para ter acesso a um médico na rede pública. Cedo começará a trabalhar, em um subemprego, para ajudar no orçamento familiar. O acesso a faculdade, foi facilitado durante um recente período, conforme os dados mostram, mas na realidade, a maioria seguirá como mãos de obra sem qualificação. Não fará um curso superior ou mestrado ou doutorado. Será um peão, no linguajar do filho do patrão. Sua escola será o dia a dia da vida.

Você acha que os dois, o filho nascido em “berço de ouro” e o filho de operários desempregados ou que vivem em subempregos terão as mesmas condições para disputar empregos ou espaços na sociedade? Um será subalterno. Outro, será patrão. Um será explorado; outro, explorador. Entretanto, o mais cruel, é que fazem os filhos da classe trabalhadora acreditar que serão patrão, que tudo dependerá do seu esforço, do seu mérito e sua capacidade individual para “vencer” na vida.

E o Estado?

A criação do Estado - o poder jurídico, policial e político, teve a finalidade de normatizar as relações entre as classes sociais. Assegurar que a classe mais poderosa política e econômica controlasse a classe mais frágil, sem forças política e econômica. O exército, a polícia e a justiça têm a finalidade de garantir que os privilegiados, detentores das riquezas (produzidas pelos operários e camponeses) permaneçam nas mãos dos mesmos de sempre. Para isso, usam a escola, a mídia, a indústria cultural (televisão, novelas, propaganda, música, etc) e todos os instrumentos que transmitem conhecimentos e valores culturais e morais. Uns são educados para seguir comandando; outros, a grande maioria, segue sendo preparada de todas as formas para continuar subalterna, até mesmo nos sonhos, pois o máximo que permitem é que reproduzam os sonhos que os patrões lhes passam. E, quando alguns ousam desafiar este poder, eles são cruéis. Primeiro, tentam cooptar, oferecendo migalhas, fardas, ilusões, transformando os pobres em “cachorros” dos ricos. Quem não se vende, propagam calúnias, usam a televisão, igreja, escolas e todos os meios para que os pobres e explorados tenham raiva e ódio contra a política, levando-os a acreditar que aqueles que o defendem são iguais aos demais, ou mesmo piores, pois conseguem, com seus meios, mesmo quando os matam, fazê-los serem os criadores de problemas, inimigos da família, de Deus, da pátria. “Água mole tanto bate até que fura”, entrando nas consciências dos de baixo. Inventam todas as estórias, levando as pessoas sem capacidade crítica e o devido conhecimento histórico a repetirem o que é propagado. Muitas vezes na forma de dogma, algo sagrado, inquestionável. E, por fim, quem de fato está ao lado dos que mais precisam são tornados inimigos destes. Dizem os mais necessitados, todos são iguais, a vida depende de mim, de mais ninguém. Significa que o necessitado foi totalmente cooptado pela ideia propagada pelo poderoso.

É possível mudar isso?

No passado foi muito pior. No Brasil, por 388 anos a escravidão foi legal, sustentada pela igreja e pelos que acumularam muita riqueza ao longo destes séculos. O escravo era obrigado a produzir 16 horas por dia, sendo seviciado, humilhado e usado apenas como uma ferramenta de trabalho. A expectativa de vida de um negro, no século XVII, era de 27 anos. O mundo mudou, mas a exploração adquiriu novas roupagens. No início do Sec. XX, colonos e operários em muitos países, e no Brasil, organizaram-se e passaram a enfrentar a exploração do patronato e conseguiram conquistar muitos direitos. Conquistou-se a jornada diária de 8 horas de trabalho, o direito de voto das mulheres, o direito de fazer greve e de possuir organização sindical, entre muitas lutas desenvolvidas, o que trouxe consciência de classe aos que produziam riquezas, com suor e sangue. O socialismo resistiu por 73 anos na antiga União Soviética, mostrando que os trabalhadores eram capazes de dirigir e fazer um Estado a seu serviço. Ocorreu a segunda guerra mundial, quando a URSS derrotou o nazismo, mas, no início dos anos 90, a primeira experiência dos trabalhadores terminou derrocada. O povo foi traído. Como tem sido comum na história da humanidade. Outros povos seguem ousando ter um modelo de Estado que sirva à maioria, a classe trabalhadora e enfrentando as ameaças políticas, bloqueios econômicos e as mentiras propagadas pela imprensa porta voz dos grandes capitalistas.

As lutas por justiça, por direitos e pela emancipação humana nunca recuou. Sempre, desde os primeiros registros da história, com Espártacus, que enfrentou o Império Romano, até os dias de hoje, com os sem-terras, os sem tetos, os trabalhadores urbanos e setores populares seguem combatendo por seus direitos e justiça, enfrentando calúnias e a violência dos poderosos. Nunca foi diferente. Nem será diferente.

Uma contribuição para estudo e debate.

Espero que tenha ajudado em seu raciocínio. Perceba. Ninguém é igual, menos ainda na política. Tudo se transforma, muda, e as classes mais necessitadas sempre enfrentaram a violência, as mentiras e o poder dos capitalistas, mas venceram. As oportunidades, para serem minimamente iguais precisa-se de um Estado que esteja a serviço da maioria, não dos poderosos latifundiários, banqueiros e outros ricos, graças à exploração do povo. Construir um novo Estado, onde haja justiça, igualdade e oportunidade para quem mais necessita exige que as classes produtoras, do campo e da cidade, as camadas populares e todos os setores que vivam do seu trabalho, manual ou intelectual, organizem-se, lutem e ousem enfrentar as mentiras e a violência dos poderosos.

Entretanto, se mesmo sabendo de tudo isso, você continua afirmando que todos os políticos são iguais e que tudo dependerá de seu esforço e de seu mérito, que você que precisa de um patrão e não o contrário, saiba, você repete o que os opressores, exploradores e cínicos capitalistas colocaram em sua cabeça. Você, operário, camponês ou qualquer pessoa que viva de seu suor, do seu sangue e seus esforços repetir isso saiba, és um ventríloquo do teu algoz.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Os intolerantes quebraram a legalidade



Sempre prevaleceu na sociedade brasileira a regra fundamental da proibição de qualquer tipo de preconceito ou discriminação à cor, raça, credo religioso, classe social, concepção política, partidária, filosófica ou nacionalidade. Norma pétrea escrita no artigo 5º, da Constituição Federal, de 1988.

Um parlamentar que teve a sua carreira sustentada na prática do preconceito e da discriminação, propagando o ódio e a intolerância, ou seja, crimes previstos em lei, encontrou na população brasileira uma massa que apoia o preconceito, a discriminação e a intolerância.

Os senhores, oligarcas e burgueses, serviçais, como sempre foram, do capital internacional, mais uma vez quebraram a legalidade, a convivência do respeito e da proibição a qualquer tipo de preconceito ou discriminação. Eles estão praticando a discriminação e o preconceito. Praticam crime, previsto na Constituição Federal impunemente, com a complacência do STF, parlamento e mídia.

O resultado disso é imprevisível. Somos um povo que sempre enfrentou a intolerância de senhores, oligarcas e burgueses. Assim ocorreu em inúmeros momentos da história nacional. Agora não será diferente.

Não há outro caminho, a não ser rechaçar a violência que senhores, oligarcas e burgueses praticarão. Somos um povo herdeiro de Ajuricaba, Zumbi, Prestes, Dandara, Bárbara de Alencar, Marighella, Lamarca, Olga Benário e Margarida Alves. Sempre existiram capitães do mato. E sempre foram derrotados. Serão mais uma vez.



Como disse Zapata: Se não há justiça para o povo, que não haja paz para o governo.

Gregório Ega

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Ocupar às ruas para barrar o fascismo



Um governo que nasce de mentiras. Mentiras que foram usadas no passado e se repetem, criando um inimigo fictício, interno e perigoso, que, segundo o vitorioso, coloca em risco a família, a moral e a propriedade.

O ato de posse foi mais uma farsa. Inventou-se que haveria ataques terroristas, sitiando a Capital Federal, jornalistas e espalhando o medo. Propagou-se que seria o maior evento na história de Brasília. Tudo um fiasco.

O povo não foi. Lá estiveram os reacionários, setores empresariais e aqueles manipulados pelas mentiras propagadas nas redes virtuais, mídia e pastores negociantes. A Esplanada estava vazia. Inventaram que participaram 115 mil pessoas. Mais uma mentira. 100 mil pessoas lotam o gramado da Esplanada entre a Catedral e Congresso, que esteve durante toda a tarde de domingo vazio.

Os discursos repetiram o bordão fascista, de amor à pátria e a sujeição a deus, para combater os vermelhos e tirar o país do socialismo. A esposa dele, que inovou, teve seu discurso desmentido no primeiro dia útil de exercício de governo, quando a secretaria responsável por políticas de surdos e mudos foi extinta.

Na manhã de quarta-feira, em seu primeiro encontro o capitão foi bater continência para o representante do EUA. Antes, porém, baixou o decreto reajustando o salário mínimo com valor inferior ao previsto no Orçamento da União, extinguiu a Secretaria da Diversidade, Alfabetização e Inclusão do MEC, retirou da FUNAI o papel de demarcar as terras indígenas, determinando que o Ministério da Agricultura assuma este papel. Extinguiu conselhos e começou a perseguição aos funcionários públicos e terceirizados.

Não foi por falta de aviso. O capitão esteve por 27 anos no parlamento, seus discursos e ações são conhecidas. Agora está na Presidência da República, fará tudo que sempre defendeu como deputado e militar, sua história é pública.



A mentira, violência e terror que ele representa, seus valores fascistas que sustentam a violência que ele, Moro e et caverna representam somente poderão ser impedidas e enfrentadas com a força do povo, que precisa ser chamado às ruas, estar organizado, consciente e disposto a derrotar os traidores da pátria e do povo brasileiro. No primeiro dia de governo prejudicou surdos, mudos, LGBTs, índios e aqueles que vivem do salário mínimo. E virá muito mais para atender seus patrões, os grandes capitalistas internacionais e os sionistas, os nazistas da atualidade.

Toda a maldade e crueldade que o capitão e sua turma defendem serão praticadas. Não duvidem. A grande imprensa ficará calada. As redes sociais não mobilizam, pelo contrário, confundem e dividem. A hora é de organizar, mobilizar e defender o direito ao trabalho, educação, saúde, a terra e a dignidade humana. Somente o povo na rua poderá mudar a história e retomar o caminho da civilidade.

Pedro César Batista

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

1964 é hoje




As ações golpistas de 1964 deixaram ensinamentos que não foram devidamente observados pelos setores democráticos e progressistas no Brasil. Naquele ano, os EUA aliados aos grupos serviçais e entreguistas, civis e militares brasileiros, derrubaram João Goulart e iniciaram um longo período de arbítrio, prisões, torturas, exílios e mortes.


O Congresso Nacional, quando empossou Ranieri Mazzilli como presidente do Brasil, após este, como Presidente da Câmara dos Deputados, ter declarado a Presidência da República vaga, mesmo com João Goulart em solo brasileiro, assumiu o papel de protagonista do golpe. Treze dias depois, em uma eleição fraudulenta, com o aval dos EUA, em 11 de abril, o parlamento elegeu o general Castelo Branco para presidente. Os militares ficaram 21 anos no comando do país, considerando a eleição indireta de Sarney, ou 25 anos, levando em conta a promulgação da Constituição Federal, em outubro de 1988.





Novamente, em 31 de agosto de 2016, o Congresso Nacional, agindo como traidores da legalidade e do povo brasileiro, cassou a presidenta Dilma Rousseff. Nos dois momentos os EUA tiveram papel determinante para que as cassações, que resultaram em golpes, ocorressem. Foram investidos milhões de dólares em campanhas de difamação, propagando acusações relacionadas à corrupção, utilizando a mídia e que visavam ganhar apoio das massas. Acrescenta-se a isso, a ação do STF, que, por meio de seu presidente, Ricardo Lewandowski, presidiu a sessão final e deu a aparência necessária de legalidade ao processo golpista.


O papel desenvolvido pela grande imprensa nos dois momentos teve influência decisiva para a sensibilização e manipulação das camadas populares e a mobilização da classe média e da pequena burguesia. Atuando de maneira criminosa e ilegal, com uma contínua e intensiva propaganda contra os governos, em 1964, contra João Goulart, e em 2016, contra Dilma Rousseff, criou um clima de instabilidade e insegurança política. Também foi usada nos dois momentos a religião, primeiro, na Marcha de Deus pela Pátria e a Família; mais recente a ação desenvolvida por setores neopentecostais.


Em 1964, João Goulart, depois de costurar um amplo acordo político e derrotar o parlamentarismo durante o plebiscito, em 1963, iniciou a implantação das reformas de “base”, como a estatização de empresas estrangeiras, o controle da remessa de lucros e a reforma agrária, que não foram aceitas pelos EUA, que tinha visto Cuba fazer uma revolução cinco anos antes. Goulart não tinha nenhuma inclinação para o socialismo, menos ainda para o comunismo, mas os norte-americanos não aceitavam que o Brasil se tornasse uma nação forte e com influência internacional, especialmente com a realização das reformas. Em 2016, os governos de Lula e Dilma passaram a atuar de maneira independente, fortalecendo o BRICS e a aliança Sul-Sul, a economia interna e o papel desempenhado pelo país a nível mundial, o que também desagradou o governo norte americano. Mesmo o PT realizando um governo que se sustentou em ações sociais, não atacando as estruturas econômicas, a elite brasileira, herdeira da colônia e detentora de riquezas graças às profundas contradições existentes no país, aliou-se novamente aos EUA, utilizando o judiciário, o parlamento e a mídia para romper um acordo que havia sido instituído em 1988.


Qual a relação maior que se enfrenta hoje com 1964? Naquele ano, após tomarem o poder pelas armas, usaram-nas para se manter, praticando todos os crimes contra a democracia e a legalidade, instituindo o arbítrio como norma legal, especialmente após o AI-5. Em 2016, não precisaram de armas, foram assegurados pela própria estrutura jurídica estatal, criando as condições para a eleição de um governo herdeiro das políticas de 1964. Durante dois anos Michel Temer implementou ações duras para retirar direitos básicos da população, especialmente dos mais necessitados, como o congelamento de gastos para a execução de políticas públicas e a reforma trabalhista. Nesse período, os mesmos setores de 1964 (militares, mídia, judiciário, parlamento e os EUA) atuaram para levar a vitória eleitoral de Bolsonaro. Ou seja, os entreguistas e traidores do povo brasileiro não precisaram de armas para tomar o poder, com a mídia e a estrutura do Estado manipularam as informações para vencerem as eleições presidenciais em 2018.





Se os golpistas de 1964 ficaram 21 (25) anos no poder, não se poder ter ilusão que o projeto golpista de 2016 pretende ser complacente com os setores populares e democráticos. O golpe de 2016 consolidou-se com a eleição do capitão Bolsonaro e do general Mourão. O programa que pretendem executar é o que for definido pelo grande capital, o que não exclui o combate ao “inimigo interno”. O velho discurso anticomunista volta com o antipetismo, combater qualquer mobilização popular, a retomada de lutas e “qualquer tipo de ativismo não será tolerado”.


O capitalismo vive uma de suas crises econômicas, o que tem feito surgir dirigentes de ultradireita, conservadores e reacionários, por isso os EUA, agora com Trump, têm atuado para derrubar governos populares e democráticos, como ocorreu em Honduras, Paraguai e no Brasil. Agiu para destruir a Líbia e o Iraque, investiu na guerra na Síria, financia ações contra o governo da Venezuela e mantêm um bloqueio econômico criminoso contra Cuba há 50 anos. Bolsonaro tem mostrado, em sua trajetória parlamentar, e com a composição de seu ministério, que atuará como planejado antes do golpe de 2016, atuando como os generais de 1964, batendo continência e governando para os norte-americanos e o grande capital internacional.


1964 é agora, seus herdeiros estão no controle, eleitos pelo voto popular, o que lhes dá mais poder para atuar. As falcatruas da família Bolsonaro nada atrapalharão o projeto de traição nacional, antipovo e entreguista. Olhar para o início da década de 1960, analisar como os golpistas ficaram no poder por mais de duas décadas, certamente ajudará a entender a necessidade de assumir o grave momento nacional, que deverá ficar mais difícil, arbitrário e duro a partir de 1 de janeiro de 2019, com o governo neofascista, sustentado pelo judiciário, parlamento, mídia e o grande capital.





Não serão textos longos, o pedantismo ou discursos, que nunca tiveram empatia com a classe trabalhadora ou as camadas populares, que possibilitarão retomar o curso da história, preservar a democracia (mesmo com suas limitações) e criar as condições para romper com séculos de opressão, exploração e domínio de uma minoria covarde, escravagista e rural, aliada ao grande capital financeiro, que “vive com a cabeça em Miami e a bunda no Brasil”, como disse Lula.


É preciso estudar, muito, sem dúvida, procurar entender o grave momento histórico, criando as condições para reforçar a indignação, a organização, a consciência de classe, com o combate aos exploradores e seus serviçais. Sem vacilo, nem recuos e com o uso de todas as ferramentas e em todas as frentes de luta. Muitas pedras estarão pelo caminho, precisaremos destruí-las, sem esquecer que cada grão será fundamental para a construção de uma verdadeira unidade e organização que resgate a dignidade, o respeito humano e embale a construção de um tempo de justiça e paz.


Pedro César Batista

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Ocupa, ocupa, ocupa e resiste.

Por Pedro César Batista
Ao longo das comemorações de 50 anos de Brasília o melhor e maior presente dado a cidade foi o exemplo dos integrantes do Movimento Fora Arruda e toda a máfia. Se não fosse por eles diria, tristemente, que tudo estava dominado. Felizmente não está, ainda há resistência e gente que sonha e luta pela dignidade.
Em abril de 2008 um grupo de estudantes da Universidade de Brasília – UnB ocupou a reitoria da instituição com uma extensa pauta de reivindicações. Começava com questões específicas chegando às gerais, como a saída do então reitor Timothy Martin Mulholland, que, entre usava desrespeitosamente o dinheiro da universidade, chegou a pagar R$ 9 mil reais por uma lixeira para o luxuoso apartamento funcional que ocupava. A ocupação na reitoria durou 18 dias, contribuindo para sensibilizar a população da importância da luta em defesa dos direitos dos estudantes e da universidade pública.
Em novembro foi descoberta a bandidagem comandada por José Roberto Arruda, governador do DEM. O policial – bandido, Durval Barbosa, havia filmado toda a divisão do butim dos recursos públicos. Brigaram entre eles e as imagens vieram a tona, depois do P2 fazer acordo para a delação premiada. Inicia-se uma grande mobilização contra a corrupção e os mafiosos que controlavam o governo em Brasília.
Em 2 de dezembro, durante a entrega de um abaixo assinado à Câmara Distrital pedindo o afastamento de Arruda, movimentos estudantil, sindicatos e organizações populares ocuparam o prédio do legislativo local. Saíram depois de uma semana de ocupação e com a ação da PM/DF, que cumpriu um Mandado de Reintegração de Posso, solicitado pelo presidente da Casa, deputado cabo Patrício (PT/DF). Na época o coordenador do DCE da UnB, Raul Cardoso, afirmou “nosso intuito é que a coisa funcione, mas como uma parcela considerável de parlamentares aparece envolvida nesse lamaçal de corrupção, a ocupação é importante para denunciar esta situação e cobrar respostas efetivas”.
Foi quando partidos e centrais sindicais chamaram um ato contra a corrupção em frente ao Palácio Buriti. Uma manifestação onde a preocupação com a institucionalidade estava em primeiro lugar. Quando os estudantes, mostrando mais uma vez criatividade e ousadia, em uma ação combativa ocupa o Eixo Monumental, em vários momentos em pontos diferentes. Foi quando os líderes sindicais pediram, usando todo o ar de seus pulmões nos microfones do enorme caminhão com som, que deixassem a rua livre. Os jovens ganharam apoio dos presentes, deixando os dirigentes partidários e sindicais falando sozinhos. A violência da PM, comandada pelo coronel Luis Henrique Fonseca – um desequilibrado serviçal do poder, foi mostrada a todo o mundo. “Os manifestantes quebraram o acordo e invadiram a pista, por isso houve o confronto”. O cinismo clássico dos militares a serviço dos governantes. Durante horas os estudantes e populares não recuaram, mesmo enfrentando a cavalaria, bombas de efeito moral e balas de borracha.
A luta dos jovens cresceu, ganhou espaço e forças. Em 11 de fevereiro de 2010 o Superior Tribunal de Justiça, por 12 votos a 3, decretou a prisão do chefe da gang, o então governador José Roberto Arruda, e mais quatro comparsas, a pedido da subprocuradora-geral da República, Raquel Dodge . O especulador imobiliário Paulo Otávio, vice de Arruda, assumiu o governo por alguns dias, terminando por renunciar ao mandato, diante do enorme volume de denúncias e pressão da sociedade. Foi como um castelo de cartas. Um terço dos deputados distritais foi denunciado por estar diretamente envolvido com a roubalheira. O novo presidente da Casa, um laranja do esquema, o deputado Wilson Lima, acabou assumindo o governo. Marcou-se então a eleição indireta para a escolha do novo governador, quando o pupilo de Roriz e Arruda, Rogério Rosso, surpreendentemente, conseguiu 13 votos - nove deles denunciados pela Caixa de Pandora, vencendo a eleição em primeiro turno. Gatos e ratos se uniram. Uma mudança para deixar tudo do mesmo jeito, como dantes na casa de Abrantes. O que importava era manter a quadrilha no comando do Distrito Federal.
No dia da eleição indireta, foi realizada uma vigília por estudantes e populares denunciando a nova farsa. Mais uma vez as ordens eram invertidas. A PM desceu o cassetete, espancando e prendendo. A Polícia Civil chegou a torturar o estudante Diogo Ramalho preso durante a resistência. Tudo para impedir o acesso dos populares às galerias da “casa do povo”.
No dia 21 de abril de 2010, milhares de pessoas foram a Esplanada ou a Funarte comemorar o aniversário de 50 anos de Brasília. Música e shows acobertavam, com a ajuda da mídia, a podridão que assola o Distrito Federal, que continua comandanda por mafiosos do velho esquema coronelista do Planalto. Enquanto a festa rolava, lá estavam os jovens na luta, com seu grito de guerra: ocupa, ocupa e resiste, mostrando a indignação e a esperança dos que muitas vezes nem sonhos têm. Os estudantes que ocuparam a reitoria, a Câmara Distrital, enfrentaram inúmeras vezes a truculência policial demonstrando a indignação que deveria ser a alma de uma população que tenha a cidadania assegurada. Nessa noite da comemoração do aniversário da capital do Brasil, o novo prédio da Câmara Distrital foi ocupado. Esse pode ser considerado o verdadeiro presente que a capital do país merece. O exemplo da resistência, da luta pela transparência, por políticas públicas, na defesa da punição dos corruptos e a intervenção, para que se convoquem, imediatamente, eleições diretas para a escolha do novo governador do DF. Os jovens lutadores da UnB, militantes da Assembléia Popular e de outros movimentos autogestionários de Brasília tem mostrado que ainda há resistência e gente que sonha e luta por um mundo melhor. Esse foi o verdadeiro e o melhor presente para Brasília. Brasília merece luta, não apatia, banditismo ou a mentira.as comemorações de 50 anos de Brasília o melhor e maio presente dado a cidade foi o exemplo dos integrantes do Movimento Fora Arruda e toda a máfia. Se não fosse por eles diria, tristemente, que tudo estava dominado. Felizmente não está, ainda há resistência e gente que sonha e luta pela dignidade.
Em abril de 2008 um grupo de estudantes da Universidade de Brasília – UnB ocupou a reitoria da instituição com uma extensa pauta de reivindicações. Começava com questões específicas chegando às gerais, como a saída do então reitor Timothy Martin Mulholland, que, entre usava desrespeitosamente o dinheiro da universidade, chegou a pagar R$ 9 mil reais por uma lixeira para o luxuoso apartamento funcional que ocupava. A ocupação na reitoria durou 18 dias, contribuindo para sensibilizar a população da importância da luta em defesa dos direitos dos estudantes e da universidade pública.
Em novembro foi descoberta a bandidagem comandada por José Roberto Arruda, governador do DEM. O policial – bandido, Durval Barbosa, havia filmado toda a divisão do butim dos recursos públicos. Brigaram entre eles e as imagens vieram a tona, depois do P2 fazer acordo para a delação premiada. Inicia-se uma grande mobilização contra a corrupção e os mafiosos que controlavam o governo em Brasília.
Em 2 de dezembro, durante a entrega de um abaixo assinado à Câmara Distrital pedindo o afastamento de Arruda, movimentos estudantil, sindicatos e organizações populares ocuparam o prédio do legislativo local. Saíram depois de uma semana de ocupação e com a ação da PM/DF, que cumpriu um Mandado de Reintegração de Posso, solicitado pelo presidente da Casa, deputado cabo Patrício (PT/DF). Na época o coordenador do DCE da UnB, Raul Cardoso, afirmou “nosso intuito é que a coisa funcione, mas como uma parcela considerável de parlamentares aparece envolvida nesse lamaçal de corrupção, a ocupação é importante para denunciar esta situação e cobrar respostas efetivas”.
Foi quando partidos e centrais sindicais chamaram um ato contra a corrupção em frente ao Palácio Buriti. Uma manifestação onde a preocupação com a institucionalidade estava em primeiro lugar. Quando os estudantes, mostrando mais uma vez criatividade e ousadia, em uma ação combativa ocupa o Eixo Monumental, em vários momentos em pontos diferentes. Foi quando os líderes sindicais pediram, usando todo o ar de seus pulmões nos microfones do enorme caminhão com som, que deixassem a rua livre. Os jovens ganharam apoio dos presentes, deixando os dirigentes partidários e sindicais falando sozinhos. A violência da PM, comandada pelo coronel Luis Henrique Fonseca – um desequilibrado serviçal do poder, foi mostrada a todo o mundo. “Os manifestantes quebraram o acordo e invadiram a pista, por isso houve o confronto”. O cinismo clássico dos militares a serviço dos governantes. Durante horas os estudantes e populares não recuaram, mesmo enfrentando a cavalaria, bombas de efeito moral e balas de borracha.
A luta dos jovens cresceu, ganhou espaço e forças. Em 11 de fevereiro de 2010 o Superior Tribunal de Justiça, por 12 votos a 3, decretou a prisão do chefe da gang, o então governador José Roberto Arruda, e mais quatro comparsas, a pedido da subprocuradora-geral da República, Raquel Dodge . O especulador imobiliário Paulo Otávio, vice de Arruda, assumiu o governo por alguns dias, terminando por renunciar ao mandato, diante do enorme volume de denúncias e pressão da sociedade. Foi como um castelo de cartas. Um terço dos deputados distritais foi denunciado por estar diretamente envolvido com a roubalheira. O novo presidente da Casa, um laranja do esquema, o deputado Wilson Lima, acabou assumindo o governo. Marcou-se então a eleição indireta para a escolha do novo governador, quando o pupilo de Roriz e Arruda, Rogério Rosso, surpreendentemente, conseguiu 13 votos - nove deles denunciados pela Caixa de Pandora, vencendo a eleição em primeiro turno. Gatos e ratos se uniram. Uma mudança para deixar tudo do mesmo jeito, como dantes na casa de Abrantes. O que importava era manter a quadrilha no comando do Distrito Federal.
No dia da eleição indireta, foi realizada uma vigília por estudantes e populares denunciando a nova farsa. Mais uma vez as ordens eram invertidas. A PM desceu o cassetete, espancando e prendendo. A Polícia Civil chegou a torturar o estudante Diogo Ramalho preso durante a resistência. Tudo para impedir o acesso dos populares às galerias da “casa do povo”.
No dia 21 de abril de 2010, milhares de pessoas foram a Esplanada ou a Funarte comemorar o aniversário de 50 anos de Brasília. Música e shows acobertavam, com a ajuda da mídia, a podridão que assola o Distrito Federal, que continua comandanda por mafiosos do velho esquema coronelista do Planalto. Enquanto a festa rolava, lá estavam os jovens na luta, com seu grito de guerra: ocupa, ocupa e resiste, mostrando a indignação e a esperança dos que muitas vezes nem sonhos têm. Os estudantes que ocuparam a reitoria, a Câmara Distrital, enfrentaram inúmeras vezes a truculência policial demonstrando a indignação que deveria ser a alma de uma população que tenha a cidadania assegurada. Nessa noite da comemoração do aniversário da capital do Brasil, o novo prédio da Câmara Distrital foi ocupado. Esse pode ser considerado o verdadeiro presente que a capital do país merece. O exemplo da resistência, da luta pela transparência, por políticas públicas, na defesa da punição dos corruptos e a intervenção, para que se convoquem, imediatamente, eleições diretas para a escolha do novo governador do DF. Os jovens lutadores da UnB, militantes da Assembléia Popular e de outros movimentos autogestionários de Brasília tem mostrado que ainda há resistência e gente que sonha e luta por um mundo melhor. Esse foi o verdadeiro e o melhor presente para Brasília. Brasília merece luta, não apatia, banditismo ou a mentira.

Editado por iMaque - Soluções em Sustentabilidade