Por: SEVERINO CARVALHO - REPÓRTER
Maragogi – Seis tiros à queima-roupa tiraram a vida do trabalhador rural Antônio Júnior da Silva, 39 anos, militante do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) em Joaquim Gomes, a 70 km de Maceió, na Mata Norte de Alagoas. O assassinato manchou de sangue as terras desapropriadas da extinta Usina Agrisa, às 18h20 da última quarta-feira. Mas, de acordo com o coordenador estadual do MLST, Josival de Oliveira, o crime nada tem a ver com conflitos agrários. O movimento social entrega hoje um documento ao governo do Estado, cobrando a elucidação do crime.
“Estamos atônitos, perplexos. O Júnior era um cara bom, de excelente relacionamento com todos. Agora, fica claro que o crime foi de execução”, afirmou “Val”, como é conhecido o coordenador estadual do MLST. A vítima estava sentada em um banco próximo de casa, acompanhada de amigos e do filho de 14 anos, que assistiu ao assassinato do pai em via pública.
Blogs da lida
-
Dialeto - A palavra mais difícil de um poema é: começar.Longe e perto, distante é certo, ímpeto e dialetoPara falar o que é quê há.Nem se sabe assobiar o arbitrário de...3 meses atrás
-
Migramos para Wordpress - O blog Anticorpo de Gaia agora está em Wordpress. http://anticorpodegaia.wordpress.com Conheçam! http://feeds2.feedburner.com/AnticorpoDeGaia1 ano atrás
Rede pela vida
Categorias
- reforma agrária (13)
- violência no campo (7)
- joão batista (5)
- resistência (5)
- terra (5)
- amazônia (4)
- assassinato (4)
- defesa da vida (4)
- luta camponesa (4)
- mártires (4)
- pará (4)
- trabalhador rural assassinado (4)
- assentamento (2)
- belém (2)
- cpt (2)
- código florestal (2)
- fsm (2)
- latifúndio (2)
- limite da propriedade (2)
- miltante (2)
- trabalhadores rurais (2)
- violência contra a mulher (2)
- Belo Monte (1)
- Xingu (1)
- abaixo assinado (1)
- agronegócio (1)
- agrotóxico (1)
- apresentação (1)
- autoridades corruptas (1)
- comunicação popular (1)
- conivência estatal (1)
- democratização da mídia (1)
- devastação (1)
- direitos humanos (1)
- entrevista (1)
- escritores (1)
- espanha (1)
- floresta (1)
- fórum (1)
- globalização (1)
- grilagem (1)
- gta (1)
- justiça (1)
- juventude (1)
- lavradores (1)
- liberdade de imprensa (1)
- livro (1)
- mobilização (1)
- mst (1)
- mídia (1)
- paragominas (1)
- pistoleiros mortos (1)
- poesia (1)
- poetas (1)
- povo (1)
- redd (1)
- transamazônica (1)
- Água (1)
Registros recentes
Live Traffic
sexta-feira, 16 de março de 2012
Militante sem-terra é executado em Alagoas
Postado por
Pedro César
às
17:04
0
comentários
segunda-feira, 12 de março de 2012
FETAGRO repudia criminalização da luta pela terra
A luta pela terra é uma das bandeiras mais antigas do movimento sindical dos trabalhadores e das trabalhadoras rurais. O desejo de que haja avanço da reforma agrária ampla e massiva em nosso país é a mola propulsora das ações dos trabalhadores rurais em busca de justiça social, e do combate à violência no campo.
Com o passar do tempo e com a desigualdade na distribuição de terras, a exemplo da tomada de posse de terras públicas por latifundiários, as lutas foram se complexificando e se ampliando no que diz respeito aos direitos de cidadania às populações rurais sujeitas a várias formas de exclusão social.
Com esse entendimento, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Rondônia (FETAGRO), tem atuado há 19 anos pela descriminalização da luta pela terra. Com a mesma concepção, os Sindicatos de Trabalhadores Rurais do Estado têm trabalhado em uma parceria fiel.
Como entidades representativas dos trabalhadores rurais, apoiamos e desenvolvemos ações para organização e sustentação de assentamentos de trabalhadores rurais sem-terra. Mas sempre pensando e agindo com responsabilidade.
A FETAGRO, assim como os sindicatos filiados, visando sempre à conquista da terra, mas prezando pelas vidas dos trabalhadores, vem acompanhando a realidade dos conflitos agrários na Região Sul do Estado de Rondônia. É nessa região que se concentra a maioria dos conflitos agrários, tendo estes, ganhado a cada dia uma proporção ainda maior. Também é no Cone Sul rondoniense que se encontram a maior parcela de terras públicas na mão do latifúndio, chegando a aproximadamente 150 mil hectares de terras, que poderiam estar recebendo a política da reforma agrária.
Uma situação que retrata isso é o desfecho parcial da luta dos trabalhadores rurais acampados em terras da União, localizadas no município de Chupinguaia, ocupadas pela fazenda Caramello, tido no dia 05 de março com a deflagração da Operação Gaia I, e a prisão do sindicalista Udo Wahlbrink, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vilhena/Chupinguaia e do vereador Roberto Ferreira Pinto.
São 40 famílias acampadas naquelas terras, intituladas de Acampamento Àgua Viva, iniciado em 2005, e que desde esse período até hoje vem sofrendo varias reintegrações de posse, enquanto tramitam na Justiça Federal ações que discutem o domínio sobre as terras pretendidas. Mesmo sendo esta propriedade do Estado Brasileiro e tendo o INCRA ingressado Ação de Retomada na Justiça Federal, por meio do Processo nº 2006.4100.000.912-4, a Justiça Estadual tem concedido posse ao fazendeiro, que se diz proprietário, aumentando cada vez mais os conflitos.
O direito dos trabalhadores de produzir e viver no campo está sendo cerceado em detrimento do latifúndio. E, por isso, reafirmamos que a luta por aquelas terras é justa e exercida de forma organizada. Às vezes mais aguerrida por causa da omissão do Estado Brasileiro que ao invés de destinar suas terras para reforma agrária, permite que estas sejam invadidas pelo latifúndio.
O sindicato de Vilhena tem tido uma atuação exemplar no enfrentamento ao latifúndio e aos conflitos agrários, coordenado pelo presidente Udo Wahlbrink, firmando também uma forte parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Essa ação organizada tem levado Udo Wahlbrinck a receber diversas ameaças, que já foram informadas às Polícias Militar e Civil, por meio de boletins de ocorrências, e também a Polícia Federal por meio de reunião com a antiga delegada e com o atual delegado de Vilhena. A FETAGRO também oficializou tais denúncias por meio de ofícios encaminhados a Secretaria de Segurança, Defesa da Cidadania de Rondônia, Secretaria Especial de Direitos Humanos e Ouvidoria Agrária Nacional.
É desta forma que tem atuado o Sindicato de Vilhena/Chupinguaia, orientando o acampamento e fazendo denúncias necessárias, visando sempre à conquista da terra. Mas prezando pelas vidas dos trabalhadores.
Diante da certeza de que o presidente do Sindicato não oferece impedimento à ordem pública, como argumentado no despacho do Mandado de Previsão Preventiva de nº 20/2012, repudiamos tal medida. Mas afirmamos que as ações do presidente Udo Wahlbrink, assim como de todo Movimento Sindical dos Trabalhadores Rurais, tem sido de reivindicação ao direito a terra, a qualidade de vida e o fim da desigualdade social.
A FETAGRO e os 39 sindicatos de trabalhadores rurais filiados lamentam profundamente as ações e acusações da Operação Gaia I, por compreender que a mesma confirma que a voz dos trabalhadores não está sendo ouvida e ainda criminaliza a luta pela terra. Na oportunidade também solicitam que os governos federal e estadual, por meio dos órgãos competentes, façam uma intervenção no Cone Sul rondoniense, por entender que a situação chegou a um patamar inaceitável em um estado democrático e de direito.
CUT- Rondônia é contra prisão de presidente da FETAGRO
Neste sentido repudiamos a ação policial que tenta criminalizar o movimento sindical rural em Rondônia
A Central Única dos Trabalhadores – CUT-RO, vem se solidarizar com todos os trabalhadores e trabalhadoras rurais de Rondônia nessa luta pela terra, por entender que é através da reforma agráriaefetivamente implementada neste país que eliminaremos os conflitos agrários, e consequentemente a violência no campo, assim sendo, garantir maior produção de alimentos, e os trabalhadores rurais terão direto de viver com dignidade.
A prisão do presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de vilhena e Chupinguaia, Udo Wahlbrink e do vereador Roberto Ferreira Pinto, é inaceitável, pois remonta a época em que o Brasil vivia Estado tatalitário quando a força do governo intervia nas entidades representativas dos trabalhadores para impedir a sua ação sob falsos segmentos de supostas ameaças de atos ilicitos.
Neste sentido repudiamos a ação policial que tenta criminalizar o movimento sindical rural em Rondônia.
Autor: Assessoria Fetagro
Postado por
Pedro César
às
16:58
0
comentários
quinta-feira, 8 de março de 2012
Trabalhadoras sem terra pedem em Curitiba reforma agrária ampla

Por Redação, com ABr - de Curitiba
A reivindicação de uma reforma agrária ampla, contemplada com políticas públicas voltadas para as mulheres camponesas, reúne em Curitiba cerca de 1.000 trabalhadoras sem terra, de todas as regiões do estado.
O encontro faz parte da mobilização do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, que ocorre nesta quinta-feira.
– No Paraná, são quase 20 mil assentamentos e 6 mil acampamentos e pelo menos em 90% deles a mulher está presente e exerce papel fundamental. Temos o direito do acesso ao conhecimento de novas tecnologias, à informação, à qualidade de vida. Tudo sem desrespeitar nossa diversidade cultural, disse à Agência Brasil a camponesa Salete Back, da coordenação do encontro.
As mulheres chegaram terça-feira à capital paranaense, foram para a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), onde se reuniram com o superintendente estadual do órgão, Nilton Bezerra Guedes. O Paraná tem 319 projetos de assentamento.
O superintendente explicou às camponesas que o Incra tem 153 processos de obtenção de novas áreas em andamento que, somadas, dão mais de 135 mil hectares, o suficiente para o assentamento de 9 mil famílias. “O ano de 2012 começa com boas perspectivas para a reforma agrária no Paraná e estamos trabalhando de forma permanente para o atendimento das demandas”, disse Guedes.
Além das políticas de assistência técnica e obtenção de novas áreas para assentamentos das famílias acampadas, o acesso ao crédito, específico para as agricultoras, também foi abordado no encontro. “Nessa linha, o governo federal oferece o Pronaf Mulher, com crédito até R$ 50 mil e prazo até dez anos para amortização, incluídos três de carência”, explicou Guedes.
O Pronaf Mulher é voltado às agricultoras integrantes de unidades familiares de produção enquadradas no programa, independentemente de sua condição civil.
A taxa de juros é 1% ao ano nas operações até R$ 10 mil e 2% ao ano na faixa de R$ 10 mil a R$ 50 mil. A finalidade do Pronaf Mulher é o atendimento a propostas de crédito de mulheres agricultoras, conforme projeto técnico ou proposta simplificada.
Além do Pronaf Mulher, o Incra tem modalidade específica do Crédito Instalação voltada exclusivamente às mulheres, chamada Apoio Mulher. O crédito é concedido para utilização exclusiva pelas titulares dos lotes, que compõem a unidade familiar. O valor é até R$ 3 mil para ser utilizado em grupo pelas mulheres. O objetivo é viabilizar investimentos coletivos para a geração de renda nos projetos de assentamento.
As faixas que as mulheres carregam, durante as manifestações, pedem que a presidenta Dilma Rousseff vete, no novo Código Florestal, o que prejudica a agroecologia.
http://correiodobrasil.com.br/
Postado por
Pedro César
às
08:08
0
comentários
quarta-feira, 7 de março de 2012
1,5 mil pessoas pedem veto do Código Florestal durante ato em Brasília

Manifestantes cobram a presidente promessa de veto do Código Florestal.
Cerca de 1,5 mil pessoas, de 24 estados brasileiros, reunidas em frente ao Congresso Nacional protestaram contra a aprovação do novo Código Florestal (PLC 30/2011). Os manifestantes ergueram faixas pedindo o “Veta Dilma” e cobraram as promessas de campanha da presidente.
Coordenada pelo Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável – em que o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) faz parte -, a manifestação contou com a presença de representantes de movimentos sociais, organizações da sociedade civil, cientistas, deputados e estudantes.
Para as lideranças do Movimento Sem Terra (MST) presentes no ato, a aprovação do Código Florestal irá gerar danos irreversíveis para a população do campo e, consequentemente, prejudicará aqueles que vivem na cidade. De acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 80% dos alimentos e peixes consumidos pelo brasileiro são produzidos pela agricultura familiar.
Além de anistiar o desmatamento o texto do Código Florestal anula multas de crimes ambientais, reduz Áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reservas Legais e desobriga a recuperação das áreas ilegalmente desmatadas.
Representantes de organizações da sociedade civil defendem que o texto está muito ruim e representa um grande prejuízo para o Brasil. Para Raul Silva Telles do Valle, do Instituto Socioambiental (ISA) “o ato a insatisfação da sociedade civil para com a proposta do Código. A sociedade civil não vai engolir qualquer texto.” Mas, apesar dos pedidos de cientistas, juristas, organizações da sociedade civil e movimentos sociais para que o processo seja revisto e realizado de forma responsável, o Projeto de Lei está agendado para ser votado já no dia 13.
A mobilização teve início às 8h, em frente à Catedral e seguiu em direção ao Congresso Nacional. Às 11h, os manifestantes participaram de reunião na Comissão de Meio Ambiente da Câmara e depois dividiram-se em grupos para visitar e pressionar os deputados de seus estados.
Assessoria de Comunicação GTA
Postado por
Pedro César
às
20:22
0
comentários
segunda-feira, 5 de março de 2012
Decisão judicial obriga camponeses a desocuparem área em São Domingos
Manaira Medeiros
Duzentas famílias camponesas instaladas há três meses no acampamento Tião Mauro, na região de Córrego da Saúde, em São Domingos do Norte (noroeste do Estado), foram obrigadas a se retirarem do local, na manhã desta segunda-feira (5), por força de decisão judicial. A operação contou com a presença da polícia, porém, não houve confronto. Os assentados consentiram com a desocupação, diante de acordo. As terras somam mais de 1.500 hectares e estavam abandonadas.
A ordem era resistir, mas os camponeses resolveram recuar após promessa de que seriam assentados em outra área próxima e que o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) participaria do processo. Caso isso não ocorra, as famílias estão prontas para realizar manifestações em frente à sede do órgão, em São Torquato, Vila Velha.
Segundo a assentada Vera Lúcia da Silva Rocha, desde que a área foi tomada, em 4 de dezembro do ano passado, as famílias sofrem forte pressão. A expectativa é que o Incra resolva a situação, para que as famílias possam retornar à área, onde já produziam coletivamente.
Informações do movimento apontam que a liminar da Justiça foi concedida ao fazendeiro Jair Pizzeta. Mas os camponeses garantem que as terras são devolutas, do governo. Eles informam também que já cobraram providências do Incra e do governo do Estado.
O Instituto Estadual de Colonização e Reforma Agrária, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que a área é particular e que o órgão chegou a realizar vistoria no local, porém esbarrou em problemas técnicos e ambientais, e o processo foi arquivado. Mas, nas próximas semanas, irá agendar uma reunião com os camponeses para avaliar a situação e apontar alternativa às famílias. O que inclui identificar áreas próximas capazes de abrigar os camponeses ou até mesmo consultar o proprietário sobre o interesse em vender as terras para o Incra.
As famílias acampadas integram a Liga dos Camponeses Pobres e o Movimento dos Camponeses de São Domingos. O assentamento Tião Mauro leva o nome de uma vítima da luta pela terra, assassinado pela Polícia Militar, em maio de 2011, em Barra do Riacho, Aracruz (norte do Estado).
De acordo com o Movimento dos Sem Terras (MST), existem cerca de 300 mil hectares de terras devolutas no Espírito Santo que poderiam ser destinadas à reforma agrária. Essas terras são ocupadas por grandes latifúndios e empresas como a Aracruz Celulose (Fibria), que se valem de informações privilegiadas do próprio governo para ocupar as terras que teriam que ser arrecadadas e distribuídas aos trabalhadores rurais para produção de alimentos.
A legislação obriga que o governo faça a arrecadação de toda área pública superior a 100 hectares e a destine à reforma agrária.
No ano passado, o governador Renato Casagrande sancionou a Lei 9.769/2011, regulamentando o regime jurídico das terras devolutas, sua arrecadação e legitimação no Estado. Esta, porém, não atende ao pleito dos movimentos sociais do campo, ao tratar especificamente de facilitar a posse dos locais ocupados por membros da mesma família, produtores rurais ou empresas.
Em 2008, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-ES) e o governo do Estado formalizaram parceria para atuar sobre a arrecadação de terras devolutas no Estado, com validade até 2011. Nesse período, porém, somente seis áreas foram doadas ao Incra com esta finalidade, totalizando 800 hectares.
http://www.seculodiario.com.br/exibir_not.asp?id=52852
Postado por
Pedro César
às
17:31
0
comentários
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Manifesto das Organizações Sociais do Campo
Por Via Campesina Brasil
As entidades: APIB, CÁRITAS, Cimi, CPT, CONTAG, FETRAF, MAB, MCP, MMC, MPA e MST, presentes no Seminário Nacional de Organizações Sociais do Campo, realizado em Brasília, nos dias 27 e 28 de fevereiro de 2012, deliberaram pela construção e realização de um processo de luta unificada em defesa da Reforma Agrária, dos direitos territoriais e da produção de alimentos saudáveis.
Considerando:
1) O aprofundamento do capitalismo dependente no meio rural, baseado na expansão do agronegócio, produz impactos negativos na vida dos povos do campo, das florestas e das águas, impedindo o cumprimento da função socioambiental da terra e a realização da reforma agrária, promovendo a exclusão e a violência, impactando negativamente também nas cidades, agravando a dependência externa e a degradação dos recursos naturais (primarização).
2) O Brasil vive um processo de reprimarização da economia, baseada na produção e exportação de commodities agrícolas e não agrícolas (mineração), que é incapaz de financiar e promover um desenvolvimento sustentável e solidário e satisfazer as necessidades do povo brasileiro.
3) O Agronegócio representa um pacto de poder das classes sociais hegemônicas, com forte apoio do Estado Brasileiro, pautado na financeirização e na acumulação de capital, na mercantilização dos bens da natureza, gerando concentração e estrangeirização da terra, contaminação dos alimentos por agrotóxicos, destruição ambiental, exclusão e violência no campo, e a criminalização dos movimentos, lideranças e lutas sociais.
4) A crise atual é sistêmica e planetária e, em situações de crise, o capital busca saídas clássicas que afetam ainda mais os trabalhadores e trabalhadoras com o aumento da exploração da força de trabalho (inclusive com trabalho escravo), super exploração e concentração dos bens e recursos naturais (reprimarização), flexibilização de direitos e investimento em tecnologia excludente e predatória.
5) Na atual situação de crise, o Brasil, como um país rico em terra, água, bens naturais e biodiversidade, atrai o capital especulativo e agroexportador, acirrando os impactos negativos sobre os territórios e populações indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e camponesas. Externamente, o Brasil pode se tornar alavanca do projeto neocolonizador, expandindo este modelo para outros países, especialmente na América Latina e África.
6) O pensamento neodesenvolvimentista centrado na produção e no lucro, defendido pela direita e por setores de esquerda, exclui e trata como empecilho povos indígenas, quilombolas e camponeses. A opção do governo brasileiro por um projeto neodesenvolvimentista, centrado em grandes projetos e na exportação de commodities, agrava a situação de exclusão e de violência. Consequentemente não atende as pautas estruturais e não coloca a reforma agrária no centro da agenda política, gerando forte insatisfação das organizações sociais do campo, apesar de pequenos avanços em questões periféricas.
Estas são as razões centrais que levaram as organizações sociais do campo a se unirem em um processo nacional de luta articulada. Mesmo reconhecendo a diversidade política, estas compreendem a importância da construção da unidade, feita sobre as bases da sabedoria, da maturidade e do respeito às diferenças, buscando conquistas concretas para os povos do campo, das florestas e das águas.
Neste sentido nós, organizações do campo, lutaremos por um desenvolvimento com sustentabilidade e focado na soberania alimentar e territorial, a partir de quatro eixos centrais:
a) Reforma Agrária ampla e de qualidade, garantia dos direitos territoriais dos povos indígenas e quilombolas e comunidades tradicionais: terra como meio de vida e afirmação da identidade sociocultural dos povos, combate à estrangeirização das terras e estabelecimento do limite de propriedade da terra no Brasil.
b) Desenvolvimento rural com distribuição de renda e riqueza e o fim das desigualdades;
c) Produção e acesso a alimentos saudáveis e conservação ambiental, estabelecendo processos que assegurem a transição para agroecológica.
d) Garantia e ampliação de direitos sociais e culturais que permitam a qualidade de vida, inclusive a sucessão rural e permanência da juventude no campo.
Este é um momento histórico, um espaço qualificado, com dirigentes das principais organizações do campo que esperam a adesão e o compromisso com este processo por outras entidades e movimentos sociais, setores do governo, parlamentares, personalidades e sociedade em geral, uma vez que a agenda que nos une é uma agenda de interesse de todos e todas.
Brasília, 28 de fevereiro de 2012.
APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil
CÁRITAS Brasileira
Cimi – Conselho Indigenista Missionário
CPT – Comissão Pastoral da Terra
CONTAG – Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura
FETRAF – Federação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar
MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens
MCP – Movimento Camponês Popular
MMC – Movimento de Mulheres Camponesas
MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores
MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Via Campesina Brasil
Postado por
Pedro César
às
21:47
0
comentários
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Preservar a memória
Por Frei Betto
O Brasil viveu 21 anos (1964-1985) sob ditadura militar. A esdrúxula Lei da Anistia pretende colocar uma pedra sobre as atrocidades cometidas naquele período contra os que lutavam por liberdade e democracia. E há escolas e universidades que ainda ignoram o terrorismo de Estado vigente no Brasil ao longo de duas décadas.
No entanto, as vítimas não se calam. Não admitem clandestinizar a dor de seu sofrimento e a de tantas famílias de mortos e desaparecidos. Segundo Primo Levi, sem memória da injustiça não há justiça possível.
No momento em que o governo Dilma Rousseff aprova a Comissão da Verdade é preciso lembrar que funciona em São Paulo o Núcleo de Preservação da Memória Política. Surgiu em 2007, no contexto das atividades do Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo, fundado para defender os interesses dos ex-prisioneiros políticos e perseguidos durante a ditadura.
Em 2008, logrou que o antigo prédio do DEOPS, no Largo General Osório, se transformasse em Memorial da Resistência. Desde então, promove ali os Sábados Resistentes. É o primeiro projeto museológico de memória no Brasil.
Em 2009, tornou-se uma instituição independente. Propõe-se a mobilizar pessoas interessadas na abertura dos arquivos da ditadura, preservar a memória das vítimas, incrementar a cultura de respeito aos direitos humanos, propiciar formação política às novas gerações.
Hoje, o Núcleo Memória é membro da Coalizão Internacional de Museus de Consciência em Lugares Históricos.
O objetivo do Núcleo Memória é preservar a luta pela liberdade e democracia; dignificar a história dos brasileiros que se empenharam nesse sentido; colher depoimentos e fontes documentais que permitam fortalecer o resgate histórico; e conhecer o passado recente da história do Brasil.
Empenha-se também em promover a recuperação dos lugares emblemáticos em que foram praticadas violações aos direitos humanos; realizar eventos culturais relacionados à resistência e à memória; exigir dos poderes públicos a preservação e divulgação dos arquivos existentes; valorizar os lugares simbólicos de atos da resistência democrática; participar de intercâmbios de experiências similares em outros países, em especial no MERCOSUL.
Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais.
Postado por
Pedro César
às
09:37
0
comentários
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Envolvido com trabalho escravo, senador do TO vira réu
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje abrir um processo criminal contra o senador João Ribeiro (PR-TO). Os ministros do STF receberam a denúncia na qual o Ministério Público Federal acusa Ribeiro de envolvimento com trabalho escravo. Com a decisão, o senador passa da condição de investigado para a de réu.
De acordo com a acusação, o congressista teria participado de aliciamento fraudulento de trabalhadores em Araguaína, no Estado de Tocantins, para que trabalhassem numa fazenda dele, localizada em Piçarra, no Pará. A denúncia teve como base uma inspeção realizada em 2004 por auditores do Ministério do Trabalho. A inspeção ocorreu após um trabalhador ter comunicado à Comissão de Pastoral da Terra (CPT) a suposta existência de trabalho escravo na fazenda.
Na inspeção, os funcionários do Ministério do Trabalho relataram ter encontrado 35 trabalhadores em condições subumanas de trabalho e acomodação. De acordo com os técnicos, os homens trabalhavam em jornadas excessivas e dormiam em ranchos cobertos com folhas de palmeira, sem sanitários e sem água filtrada. Os advogados do senador negaram que houvesse trabalho escravo.
http://www.jornaldebrasilia.com.br/site/noticia.php?id=391323
Postado por
Pedro César
às
09:17
0
comentários
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Alckmin, desembargador Sartori e Naji Nahas devem ser presos por crimes no Pinheirinho, afirma procurador
Análise feita pelo procurador do Estado de São Paulo, Márcio Sotelo Felippe, da expulsão de milhares de famílias do bairro de Pinheirinho, em São José dos Campos (SP) comprova que a ação teve a finalidade em desocupar a área para que o megaespeculador Naji Nahas tivesse em seu poder uma terra conseguida de forma fraudulenta. O governador Alkimim executou uma ordem arbitrária expedida por uma juíza a serviço da expeculação. O procurador considera que todos os responsáveis pelo despejo devem ser presos. Veja abaixo a matéria publicada e o link para ouvir a entrevista concedida pelo procurador concedida a imprensa.
O procurador do Estado de São Paulo Marcio Sotelo Felippe afirma que o governador Geraldo Alckmin, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ivan Sartori, e Naji Nahas devem ser presos pelos crimes cometidos contra a humanidade no Pinheirinho, em São José dos Campos, interior de São Paulo. O jurista, que já ocupou o cargo de procurador geral do Estado na gestão do governador Mário Covas, considera que o Tribunal Penal Internacional tem de expedir mandado de prisão contra os três. Ele analisou a documentação sobre o processo de falência da empresa Selecta do megaespeculador Naji Nahas e descobriu que toda a ação para expulsar milhares de pessoas no dia 22 de janeiro do Pinheirinho, quando a Tropa de Choque da PM invadiu a área, serviu única e exclusivamente para beneficiar o megaespeculador. Entrevista à repórter Marilu Cabañas.
http://www.redebrasilatual.com.br/radio/programas/jornal-brasil-atual/alckmin-desembargador-sartori-e-naji-nahas-devem-ser-presos-por-crimes-no-pinheirinho-afirma-procurador/view
Postado por
Pedro César
às
14:06
0
comentários
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Morre o presidente da CPT, "bispo da reforma agrária"
Por: Redação da Rede Brasil Atual
São Paulo – Dom Ladislau Biernaski, bispo de São José dos Pinhais (PR) e presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT) desde 2009, morreu nesta segunda-feira (13), em decorrência de um câncer. "Nos grandes momentos de tensão e de conflito envolvendo os movimentos sociais, Dom Ladislau nunca se furtou em ficar do lado dos trabalhadores e trabalhadoras, e a eles manifestar seu apoio", diz nota divulgada pela CPT. "De origem camponesa, Dom Ladislau nos deixa seu legado de luta pelos direitos dos camponeses e contra a violência no campo." Dom Ladislau tambem foi conhecido como "o bispo da reforma agrária".
A CPT lembrou que o bispo foi um critico do projeto do novo Código Florestal. "Aldo Rebelo (relator do projeto) perdeu uma grande oportunidade de ajudar o País a sair da devastação, impunidade dos grileiros e pouco investimento nos pequenos agricultores. Ele perdeu uma grande oportunidade de fazer a diferença. Lamento por ele", afirmou.
Segundo a Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Biernaski foi bispo auxiliar de Curitiba de 1979 a 2006, alem de responsável por diversas pastorais sociais, como a Pastoral Operária, a Carcerária (1979) e a do Menor (1988). Antes de assumir a direçao da CPT, foi vice-presidente der 1997 a 2003.
Postado por
Pedro César
às
17:44
0
comentários
Palavras de força
"Este livro é importantíssimo e vem em muito boa hora. É um registro fiel das entranhas e detalhes da luta de classe na Amazônia... É o retrato da vida e dedicação de um dos melhores filhos da classe trabalhadora".
"João Batista foi um parlamentar militante, sua formação se deu nas lutas travadas contra a ditadura e na convivência com as injustiças presenciadas na juventude".
"A vida, os ideais, as personagens, os crimes contra os direitos humanos na região e a impunidade são relatados com paixão e coragem jornalística".