Unidade para derrotar o fascismo é fundamental



Pedro César Batista

A possível vitória do candidato da extrema direita na Colômbia mostra a influência direta do imperialismo nos processos eleitorais em curso na América Latina, com o uso da tecnologia sionista, intensa difusão de fake News, ameaça de “estripar a esquerda” ao recrudescer à violência contra os povos, como se vê com o cerco a Cuba.

Gustavo Petro enfrentou ao longo de seu mandato duros ataques internos, promovidos pelos narcotraficantes e paramilitares, lacaios dos EUA, mostrando a disposição de enfrentá-los sempre com a mobilização popular como instrumento político comprovado como a força motriz da história. Isso talvez mostre a raiva da extrema direita em voltar ao controle desse país.

No Peru, depois do golpe, em 7 de dezembro de 2022, contra Pedro Castillo, que segue encarcerado, a apuração da eleição presidencial ocorrida em 7 de junho ainda não foi concluída. A extremista de direita Keiki Fujimori tem pouco mais de 40 mil votos de dianteira, com 99,68% dos votos apurados. Roberto Sànchez denunciou que há fraudes e manipulação na apuração.

A eleição chilena, depois do governo de Gabriel Borik, que manteve os seguidores de Pinochet em várias funções e atuou como quinta coluna a serviço dos EUA, contribuiu para que o fascista Kast vencesse a eleição presidencial em dezembro de 2025. O governo que assumiu montou um ministério com pessoas diretamente ligadas a Pinochet, que matou mais de 3200 pessoas, após o golpe contra Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973.

Na Bolívia a extrema direita também venceu a eleição, elegeu Rodrigo Paz para presidente. Uma de suas primeiras ações foi atacar as conquistas e avanços realizados pelo MAS, a partir de 2006, com Evo Morales. Paz retirou subsídios dos combustíveis, alterou a lei da Reforma Agrária e iniciou a privatização de setores estratégicos. A resposta dos setores populares e trabalhadores tem sido exemplar, com o bloqueio de rodovias e grandes manifestações, que resistem há meses, mesmo após a decretação de Estado de Sítio.

Por outro lado, a reeleição de Daniel Noboa, em abril do ano passado, no Equador, e de Nasry Asfura, em novembro de 2025, foram fraudadas com a interferência direta dos EUA, sem que ocorresse a repulsa internacional, nem o pedido de atas.

Completa-se a esse quadro de avanço do fascismo na América Latina, o bombardeio e sequestro do presidente Nicolas Maduro e sua esposa, a deputada Cília Flores, em 3 de janeiro passado, pelas forças militares dos EUA, com a cumplicidade dos organismos internacionais, silêncio dos governantes e a manipulação da grande imprensa.

Não se pode esquecer o que aconteceu na eleição presidencial venezuelana, em 28 de julho de 2024, quando a extrema direita, com o apoio das big techs e da grande imprensa, antes do pleito, difundiram que Edmundo teria 70% dos votos, e Nicolás Maduro os 30% restantes. Apagaram os 8 candidatos presidenciais restantes, o mesmo que difundiram após a realização da eleição, afirmando que a direita venceu e o presidente Maduro fraudou o processo. Ou seja, tentaram dar o golpe, mas não conseguiram, o que os levaram depois a sequestrar o legítimo presidente da Venezuela. Entretanto, a extrema direita, a serviço dos EUA, deu o golpe no Equador e Honduras, agora tentam repetir no Peru e Colômbia.

Em outubro haverá eleição no Brasil, sendo que Trump e seus lacaios da família miliciana e outros serviçais do fascismo, já deixaram claro que não aceitarão perder a eleição para Lula. As fake News circulam intensamente nas redes virtuais, setores da grande imprensa reforçam a campanha fascista, especialmente diante da onda de retrocesso na região. Será uma dura batalha contra o imperialismo e seus lacaios.

No quadro atual, o cerco a Cuba tenta repetir o que o sionismo fez em Gaza, com intensa propaganda de que a resistência palestina é terrorista. Com investimento de bilhões de dólares, difundem que as dificuldades em Cuba são resultado do socialismo, quando o cruel e perverso bloqueio, de mais de 65 anos, que agora impede a chegada de petróleo, alimentos e medicamentos à ilha mostra que o terrorismo dos EUA e seus agentes não têm limites em suas maldades.

Por isso, defender e apoiar Cuba é defender o Brasil, é defender todos os povos contra a política neoliberal e criminosa imposta pelo fascismo na América Latina e Caribe.

O momento não repete 1933, quando governos fascistas assumiram na Alemanha, Espanha e Itália, que levou a segunda grande guerra, que deixou mais de 60 milhões de mortos. Agora, a tese de Goebbels da difusão de uma mentira repetida mil vezes vira verdade tem mais força com as redes virtuais. As mentiras são repetidas milhões de vezes, como mostra a influência sobre imensos setores populares que estão sendo arrastados para o pensamento reacionário e desumano do fascismo.

O presidente Gustavo Petro denunciou que Israel teve atuação direta na apuração do segundo turno na eleição colombiana, interferindo no processo a favor do candidato da extrema direita. Não podemos esquecer, que os sionistas também atuaram diretamente no processo eleitoral brasileiro, em 2018, para eleger o fascista miliciano presidente.

A eleição no Brasil em outubro será muito dura. As redes a serviço do imperialismo e do fascismo não economizarão em seus crimes ao circularem mentiras, desinformar e dividir de maneira muito intensa. Derrotar o fascismo no Brasil é uma tarefa fundamental para todos os povos da região, mas também a nível mundial. Isso exige estar mais atento, reforçar cada vez mais a unidade e organização para enfrentar essa onda que cresce.

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