domingo, 27 de novembro de 2016

Sobre Fidel e Cuba


 Por João Castro

“Vi ontem um bicho, na imundice do pátio,  catando comida entre os detritos...

Foi assim, era 10 horas da manhã e uma mãe, ainda adolescente, completamente fora de si,  talvez por falta de comida e carinho,  abandonou a filha de 1 ano e pouco no meio do asfalto e foi embora.

Completamente transtornada, a mãe, com outro filho de mais idade no carrinho de bebê, bradava com palavras inaudíveis o seu desespero.

As pessoas assistiam a tudo e nada diziam, os que cochichavam  alguma coisa era pra criticar a sua cor, ela era negra.

Ninguém queria saber o porquê daquele momento de cólera.

Não importava, quem tinha comida em casa e crença que tinha uma família feliz, apesar da infelicidade dos outros, estava feliz.
      
E a criança ficou ali por alguns angustiantes minutos.

O Avô, bebia num bar em frente e nada fazia, a dona do bar,  pegou a criança e levou para perto do avô que permaneceu indiferente a presença da neta.

Estava mais interessado na sua bebida.

A criança perambulou pela frente das lojas, sozinha e triste, pedindo atenção e carinho de alguém.

Mãe, pai (ausente) e avô indiferente, abandonaram a criança que já nasceu excluída.

Em Cuba essa imagem não seria vista,  as crianças e idosos tem atenção especial.

Em Cuba, onde tudo é modesto, jamais faltará atenção as crianças e solidariedade ao próximo.
Ontem, após a notícia da morte de Fidel, vi muita gente feliz e sorrindo pras paredes...

Diziam que Cuba acabaria.

Ledo engano, o povo cubano aprendeu nesses tempos difíceis, que uma sociedade só se constrói quando todos tem oportunidades iguais e são livres.  
 
...O bicho não era um cão, não era um gato, não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem”.
                                                                     Manuel Bandeira


João de Castro é militante do PCB e produtor de Cinema e TV

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