sábado, 18 de junho de 2016

Fascistas atacam às claras


Por Pedro César Batista

Os fascistas saem das catacumbas

Nem se passaram 26 anos desde a queda da URSS, quando a experiência da construção de um mundo socialista livre se tornou realidade. Depois desse tempo verificamos o retorno de concepções que pareciam sepultadas pela história.

Foram 73 anos de conquistas relacionadas aos direitos humanos, econômicos e sociais que alteraram a face da humanidade, principalmente depois de derrotar o nazi fascismo, o que obrigou a burguesia a “barbear” a exploração capitalista, principalmente na velha Europa, tornando-a mais sutil para a obtenção, cada vez mais cruel, da mais-valia.

Um novo modelo de golpe

Depois de a América Latina enfrentar inúmeras ditaduras, apoiadas, organizadas, treinadas e financiadas pelos EUA, as quais deixaram um rastro de sangue e morte, o continente viveu recentemente a experiência de três golpes de Estado: Honduras, Paraguai e agora o Brasil, que tem um processo golpista em curso.

Agora não mais colocam os tanques nas ruas, nem se escondem, usam a mídia para manipular, o judiciário e o legislativo para dar legalidade, mesmo desrespeitando as normas jurídicas e democráticas.  

Essas ações não são isoladas

O papel dos EUA em todo o mundo têm sido assegurar os interesses das transnacionais, o que também ocorre no Brasil. Os capitalistas estão de olho no Pré-Sal, o que fará do país um dos maiores produtores de petróleo do mundo. O interesse principal para o golpe em andamento é geopolítico, querem aprofundar a exploração dos trabalhadores, com a retirada de direitos históricos, que o mordomo do golpe, Temer, tem feito nesse curto tempo de sua interinidade na Presidência da República.

O papel das instituições públicas e da mídia

Para satisfazer o interesse dos grandes capitalistas, o parlamento e o judiciário brasileiro, com a grande imprensa cumprindo um papel massificador, têm atuado fortemente para servir aos seus patrões internacionais. Sérgio Moro e Gilmar Mendes são os principais agentes dessa ação intervencionista, atuando, inclusive, dentro de seu próprio bloco, através da Operação Lava Jato, que visa objetivamente desmontar o estado brasileiro, colocando-o, inteiramente, a serviço das transnacionais, seus verdadeiros chefes.

Atuam com um discurso que propaga e incentiva o ódio e dissemina a violência contra os mais pobres e a esquerda, tudo replicado pela mídia golpista que dá a entender que a violência de classe, praticada por policias e pistoleiros nas periferias e no campo, é algo normal, pois sempre os causadores são colocados como vítimas e justos, que se defendem da turba dos miseráveis.

O parlamento brasileiro, com raríssimas exceções, transformou-se em um receptor da excrecência de pior espécie da política, com a propagação do que há de mais baixo no sentimento humano, sustentado pela ignorância, charlatanismo, mentiras e demagogia, com assassinos e bandidos de todas as espécies se passando por “representantes do povo”.

Pode-se dizer que se colocar em um mesmo palco alguns juízes, outros parlamentares e os golpistas teremos instalado um autêntico circo de horrores.

O discurso anticomunista

Toda a campanha da direita fascista, entreguista e dos oportunistas, serviçais do império, tem a finalidade de destruir as conquistas que a humanidade alcançou ao longo da história, obtidas com a luta da classe produtora, após séculos de lutas dos oprimidos.

Desde a Comuna de Paris, passando pela Revolução Russa, os guerrilheiros da Sierra Maestra, que transformaram radicalmente Cuba, e tantos movimentos libertadores e humanitários em todos continentes, a direita fascista tem feito com que o discurso ideológico anticomunista, sustentado em mentiras, manipulações históricas e uma feroz campanha midiática, mesmo dentro da academia, retornem com força e como se fosse algo moderno.

A Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em 1964, organizada pela igreja católica e dirigida pelos setores mais reacionários, abriu as portas para uma ditadura criminosa, que prendeu, perseguiu, torturou e matou ao longo de 21 anos. Ainda assim, até hoje, os criminosos que praticaram esses atos permanecem impunes, alguns se tornaram parlamentares, dando-lhes carta branca para seguirem mentindo e manipulando.

E, mais uma vez, voltam com o mesmo velho discurso, acusando as suas vitimas como terroristas, violentos e bandidos, alterando completamente os fatos históricos.
Os direitistas e fascistas roubam, mentem, saqueiam, matam e se dizem inocentes.  E, diante da impunidade que permanecem, apoiados por uma mídia conivente que replica seus discursos mentirosos, tem formado seguidores, inclusive na juventude, o que traz grandes riscos para a liberdade e a democracia, mesmo dentro dos parâmetros da democracia burguesa.

O assassinato de indígenas


O mais recente ataque dos latifundiários contra os índios Guarani Kaiwá, no Mato Grosso do Sul, e que vem se repetindo secularmente com todos os povos indígenas, mostra que a finalidade das oligarquias urbanas e rurais tem sido assegurar suas propriedades, acumular mais riquezas, usando a estrutura do Estado a seu serviço, com suas mentiras propagadas pela mídia serviçal. 

O mesmo que ocorre com o massacre cotidiano praticado pela Polícia Militar nas periferias contra jovens. 

Matam e acusam os mortos como se eles fossem os culpados por suas mortes. 

Mentem descaradamente em jornais das emissoras fascistas, que sustentam essa prática, que acaba se tornando aceitável por uma população manipulada, sem informações históricas, nem capacidade crítica, e essas mentiras, essas práticas acabam parecendo normais, quando deveriam ser repudiadas e os responsáveis punidos, com todo o rigor das leis nacionais e internacionais.   

A retirada de direitos

Quando o governo Dilma Rousseff, logo no início de seu segundo mandato, colocou em prática uma política para retirada de direitos dos trabalhadores, estava abrindo a porteira para o golpe que vinha sendo gestado dentro do Palácio do Planalto. O vice-presidente, Michel Temer, ainda no primeiro mandato, já mantinha estreitas ligações com a embaixada dos EUA, conforme comprovado depois, como um informante para a preparação do ataque que terminou acontecendo.

A posição da Câmara dos Deputados e do Senado ao acatarem o processo do afastamento de Dilma Rousseff levou interinamente a Presidência o serviçal do golpe, que organizou um ministério com figuras com um papel claro: desmontar as políticas assistências que permitiram elevar a qualidade de vida de milhões de brasileiros, mas não apenas isso. Temer, o serviçal do golpe, tem o papel em desmontar a legislação trabalhista, assegurando que o lucro do patronato se torne cada vez maior, garanta a preservação do elevado exército de reserva, desmonte do estado brasileiro, quebrando as estatais, papel que vem sendo executado com competência por Sérgio Moro - Rede Globo e garanta a privatização das riquezas nacionais.

A retirada de direitos dos trabalhadores e dos mais necessitados, chegando ao ponto do ministro Meireles propor o congelamento por 20 anos dos investimentos em políticas públicas, tem somente a finalidade de assegurar a transferência dos recursos públicos para as transnacionais, rentistas e os mais ricos, que, em simbiose, atuam para controlar cada vez mais as riquezas do mundo.

A invasão da UnB


O recente ataque de um grupo de fascistas aos estudantes da Universidade de Brasília apenas mostra o que vem pela frente. A ousadia e descaramento dos fascistas voltam ao período pré-guerra, quando os galinhas verdes, comandados por Plínio Salgado, saiam às ruas defendendo Hitler e o Eixo.

Durante a ditadura foi criado o CCC – Comando de Caça aos Comunistas, formado por militares e civis que, financiados por grandes empresários, passaram a praticar atos terroristas e atacar os movimentos estudantis, sindicais e populares. Atualmente inúmeros jornalistas em programas na televisão propagam esse surrado discurso anticomunista, denegrindo as ações em defesa de direitos que os trabalhadores desenvolvem para conquistar e preservar direitos. Também não faltam parlamentares, ligados ao latifúndio, fundamentalistas evangélicos, empresas armamentistas e programas policiais que replicam e defendem essas agressões em seus discursos. Bolsonaro, o torturador e criminoso, é apenas um deles, o mais exposto, porém são muitos os que se orientam com o discurso que a CIA/EUA usou no período pós-guerra e que volta atualmente com força.

A ação na UnB mostra que os fascistas querem mais retrocessos, querem prender, torturar e matar. Eles nem escondem mais o rosto como faziam durante a ditadura, agora mostram a cara, falam sem medo e agridem os mais variados setores da sociedade, repetindo essa prática como sempre fizeram ao longo da história.

O sinal de alerta da história está acesso. Não se pode tratar com complacência os atos praticados na UnB, pois são ações devidamente tipificadas como criminosas no Código Penal Brasileiro. Seus chefes, fascistas da ditadura de 64, permanecem impunes, fato que tem grande importância para que os fascistas de hoje saiam às ruas para agredir, perseguir e intimidar todos que pensam diferentes. A resposta aos fascistas deve ser o repúdio, a exigência da responsabilização criminal, com a devida ação legal para que respondam por seus crimes, tanto os chefes como os seguidores.


O quadro atual, seja nacional, seja no mundo, mostra a necessidade histórica da unidade de todas as forças democráticas, populares e de esquerda para enfrentar os golpistas, os serviçais das transnacionais, os fascistas, o latifúndio e os imperialistas, assim como defender a democracia, as liberdades civis, os direitos dos trabalhadores e a legalidade. Unidade e luta contra o retrocesso e o perigo que o futuro corre. 

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