Fascistas atacam às claras
Por Pedro César Batista
Os
fascistas saem das catacumbas
Nem se passaram 26 anos
desde a queda da URSS, quando a experiência da construção de um mundo socialista
livre se tornou realidade. Depois desse tempo verificamos o retorno de concepções
que pareciam sepultadas pela história.
Foram 73 anos de conquistas
relacionadas aos direitos humanos, econômicos e sociais que alteraram a face da
humanidade, principalmente depois de derrotar o nazi fascismo, o que obrigou a
burguesia a “barbear” a exploração capitalista, principalmente na velha Europa,
tornando-a mais sutil para a obtenção, cada vez mais cruel, da mais-valia.
Um
novo modelo de golpe
Depois de a América Latina
enfrentar inúmeras ditaduras, apoiadas, organizadas, treinadas e financiadas
pelos EUA, as quais deixaram um rastro de sangue e morte, o continente viveu recentemente
a experiência de três golpes de Estado: Honduras, Paraguai e agora o Brasil,
que tem um processo golpista em curso.
Agora não mais colocam os
tanques nas ruas, nem se escondem, usam a mídia para manipular, o judiciário e o legislativo
para dar legalidade, mesmo desrespeitando as normas jurídicas e democráticas.
Essas
ações não são isoladas
O papel dos EUA em todo o
mundo têm sido assegurar os interesses das transnacionais, o que também ocorre no
Brasil. Os capitalistas estão de olho no Pré-Sal, o que fará do país um dos
maiores produtores de petróleo do mundo. O interesse principal para o golpe em
andamento é geopolítico, querem aprofundar a exploração dos trabalhadores, com
a retirada de direitos históricos, que o mordomo do golpe, Temer, tem feito
nesse curto tempo de sua interinidade na Presidência da República.
O
papel das instituições públicas e da mídia
Para satisfazer o interesse
dos grandes capitalistas, o parlamento e o judiciário brasileiro, com a grande
imprensa cumprindo um papel massificador, têm atuado fortemente para servir aos
seus patrões internacionais. Sérgio Moro e Gilmar Mendes são os principais agentes
dessa ação intervencionista, atuando, inclusive, dentro de seu próprio bloco,
através da Operação Lava Jato, que visa objetivamente desmontar o estado
brasileiro, colocando-o, inteiramente, a serviço das transnacionais, seus verdadeiros
chefes.
Atuam com um discurso que propaga
e incentiva o ódio e dissemina a violência contra os mais pobres e a esquerda,
tudo replicado pela mídia golpista que dá a entender que a violência de classe,
praticada por policias e pistoleiros nas periferias e no campo, é algo normal,
pois sempre os causadores são colocados como vítimas e justos, que se defendem
da turba dos miseráveis.
O parlamento brasileiro, com
raríssimas exceções, transformou-se em um receptor da excrecência de pior espécie
da política, com a propagação do que há de mais baixo no sentimento humano,
sustentado pela ignorância, charlatanismo, mentiras e demagogia, com assassinos
e bandidos de todas as espécies se passando por “representantes do povo”.
Pode-se dizer que se colocar
em um mesmo palco alguns juízes, outros parlamentares e os golpistas teremos
instalado um autêntico circo de horrores.
O
discurso anticomunista
Toda a campanha da direita
fascista, entreguista e dos oportunistas, serviçais do império, tem a
finalidade de destruir as conquistas que a humanidade alcançou ao longo da
história, obtidas com a luta da classe produtora, após séculos de lutas dos
oprimidos.
Desde a Comuna de Paris,
passando pela Revolução Russa, os guerrilheiros da Sierra Maestra, que
transformaram radicalmente Cuba, e tantos movimentos libertadores e
humanitários em todos continentes, a direita fascista tem feito com que o
discurso ideológico anticomunista, sustentado em mentiras, manipulações históricas
e uma feroz campanha midiática, mesmo dentro da academia, retornem com força e
como se fosse algo moderno.
A Marcha da Família com Deus
pela Liberdade, em 1964, organizada pela igreja católica e dirigida pelos
setores mais reacionários, abriu as portas para uma ditadura criminosa, que
prendeu, perseguiu, torturou e matou ao longo de 21 anos. Ainda assim, até
hoje, os criminosos que praticaram esses atos permanecem impunes, alguns se
tornaram parlamentares, dando-lhes carta branca para seguirem mentindo e
manipulando.
E, mais uma vez, voltam com
o mesmo velho discurso, acusando as suas vitimas como terroristas, violentos e
bandidos, alterando completamente os fatos históricos.
Os direitistas e fascistas roubam,
mentem, saqueiam, matam e se dizem inocentes. E, diante da impunidade que permanecem, apoiados
por uma mídia conivente que replica seus discursos mentirosos, tem formado
seguidores, inclusive na juventude, o que traz grandes riscos para a liberdade
e a democracia, mesmo dentro dos parâmetros da democracia burguesa.
O
assassinato de indígenas
O mais recente ataque dos
latifundiários contra os índios Guarani Kaiwá, no Mato Grosso do Sul, e que vem
se repetindo secularmente com todos os povos indígenas, mostra que a finalidade
das oligarquias urbanas e rurais tem sido assegurar suas propriedades, acumular
mais riquezas, usando a estrutura do Estado a seu serviço, com suas mentiras
propagadas pela mídia serviçal.
O mesmo que ocorre com o massacre cotidiano
praticado pela Polícia Militar nas periferias contra jovens.
Matam e acusam os
mortos como se eles fossem os culpados por suas mortes.
Mentem descaradamente
em jornais das emissoras fascistas, que sustentam essa prática, que acaba se
tornando aceitável por uma população manipulada, sem informações históricas,
nem capacidade crítica, e essas mentiras, essas práticas acabam parecendo
normais, quando deveriam ser repudiadas e os responsáveis punidos, com todo o
rigor das leis nacionais e internacionais.
A
retirada de direitos
Quando o governo Dilma Rousseff,
logo no início de seu segundo mandato, colocou em prática uma política para
retirada de direitos dos trabalhadores, estava abrindo a porteira para o golpe
que vinha sendo gestado dentro do Palácio do Planalto. O vice-presidente,
Michel Temer, ainda no primeiro mandato, já mantinha estreitas ligações com a embaixada
dos EUA, conforme comprovado depois, como um informante para a preparação do
ataque que terminou acontecendo.
A posição da Câmara dos
Deputados e do Senado ao acatarem o processo do afastamento de Dilma Rousseff
levou interinamente a Presidência o serviçal do golpe, que organizou um
ministério com figuras com um papel claro: desmontar as políticas assistências
que permitiram elevar a qualidade de vida de milhões de brasileiros, mas não
apenas isso. Temer, o serviçal do golpe, tem o papel em desmontar a legislação trabalhista,
assegurando que o lucro do patronato se torne cada vez maior, garanta a preservação
do elevado exército de reserva, desmonte do estado brasileiro, quebrando as
estatais, papel que vem sendo executado com competência por Sérgio Moro - Rede Globo
e garanta a privatização das riquezas nacionais.
A retirada de direitos dos trabalhadores e dos
mais necessitados, chegando ao ponto do ministro Meireles propor o congelamento
por 20 anos dos investimentos em políticas públicas, tem somente a finalidade de
assegurar a transferência dos recursos públicos para as transnacionais, rentistas
e os mais ricos, que, em simbiose, atuam para controlar cada vez mais as
riquezas do mundo.
A
invasão da UnB

O recente ataque de um grupo
de fascistas aos estudantes da Universidade de Brasília apenas mostra o que vem
pela frente. A ousadia e descaramento dos fascistas voltam ao período
pré-guerra, quando os galinhas verdes, comandados por Plínio Salgado, saiam às
ruas defendendo Hitler e o Eixo.
Durante a ditadura foi
criado o CCC – Comando de Caça aos Comunistas, formado por militares e civis
que, financiados por grandes empresários, passaram a praticar atos terroristas
e atacar os movimentos estudantis, sindicais e populares. Atualmente inúmeros
jornalistas em programas na televisão propagam esse surrado discurso
anticomunista, denegrindo as ações em defesa de direitos que os trabalhadores
desenvolvem para conquistar e preservar direitos. Também não faltam
parlamentares, ligados ao latifúndio, fundamentalistas evangélicos, empresas
armamentistas e programas policiais que replicam e defendem essas agressões em
seus discursos. Bolsonaro, o torturador e criminoso, é apenas um deles, o mais
exposto, porém são muitos os que se orientam com o discurso que a CIA/EUA usou
no período pós-guerra e que volta atualmente com força.
A ação na UnB mostra que os
fascistas querem mais retrocessos, querem prender, torturar e matar. Eles nem
escondem mais o rosto como faziam durante a ditadura, agora mostram a cara,
falam sem medo e agridem os mais variados setores da sociedade, repetindo essa
prática como sempre fizeram ao longo da história.
O sinal de alerta da
história está acesso. Não se pode tratar com complacência os atos praticados na
UnB, pois são ações devidamente tipificadas como criminosas no Código Penal
Brasileiro. Seus chefes, fascistas da ditadura de 64, permanecem impunes, fato
que tem grande importância para que os fascistas de hoje saiam às ruas para
agredir, perseguir e intimidar todos que pensam diferentes. A resposta aos
fascistas deve ser o repúdio, a exigência da responsabilização criminal, com a
devida ação legal para que respondam por seus crimes, tanto os chefes como os
seguidores.
O quadro atual, seja
nacional, seja no mundo, mostra a necessidade histórica da unidade de todas as
forças democráticas, populares e de esquerda para enfrentar os golpistas, os
serviçais das transnacionais, os fascistas, o latifúndio e os imperialistas,
assim como defender a democracia, as liberdades civis, os direitos dos
trabalhadores e a legalidade. Unidade e luta contra o retrocesso e o perigo que
o futuro corre.
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