quarta-feira, 18 de junho de 2014

A luta do povo e a copa: participação em todas as frentes.

Por Pedro César Batista

Completa-se um ano neste mês de junho quando mais de um milhão de pessoas foram às ruas no Brasil, em sua maioria jovens, que pela primeira vez saiam em manifestação, reivindicando direitos e mostrando ao mundo que, mais uma vez, o Brasil se reinventa na busca de uma nova sociedade.

Após um longo período sem grandes mobilizações populares, em junho de 2013 às manifestações massivas mostraram a força da população quando esta se mobiliza, mesmo sem a consciência da importante ação política executada, foram obtidas muitas conquistas após esse histórico mês de junho.

Durante as manifestações ocorreu uma ferrenha disputa ideológica e política entre as forças políticas organizadas para dar a direção ao movimento que estava nas ruas. Muitas bandeiras foram pautadas pela mídia, mas as principais reivindicações foram as históricas bandeiras das lutas do povo brasileiro: saúde, educação, transporte, democracia e liberdade. As lutas contra o sistema não chegaram a ser pautadas, com exceção da bandeira da reforma política e a luta contra a corrupção, enquanto a luta contra o modelo de produção e as relações promíscuas entre a elite econômica e política no país não receberam a atenção merecida nos protestos. A velha direita, comandada pela grande imprensa, especialmente a Globo, tentou direcionar o movimento contra o governo petista e as organizações de esquerda. Estas, por sua vez, não mostraram a força necessária para o enfrentamento, pois os grupos mais à esquerda, ligados aos movimentos populares e sociais não estavam preparados para o tsunami vivenciado nas ruas do país. Assim mesmo, os manifestantes, que em sua grande parte era inorgânica, foi às ruas e arrancou vitórias, colocando em pauta a necessidade das grandes mobilizações populares, tendo, ainda, servido como uma aula política e histórica aos jovens que se manifestaram.

O recente lançamento, pelo Governo Federal, do Decreto da Política Nacional de Participação Social, regulamentando o direito a participação política previsto na Constituição Federal, depois de 25 anos após a sua promulgação, foi fruto dessa pressão social. Não é por acaso que o DEM e o PSDB fizeram tantas críticas ao decreto da Presidência da República, pois justamente a ausência dos setores mais pobres, os quais não têm voz nem vez na política, na definição dos rumos da política brasileira têm assegurado a manutenção do status quo, da concentração da riqueza e do controle político pelos mais ricos sobre o Estado brasileiro, especialmente com a preservação do monopólio da mídia.

A corrupção tem sido historicamente um dos principais instrumentos de manipulação dos detentores do poder econômico. Mesmo o governo do presidente Lula tendo sido o responsável pela criação da Controladoria Geral da União – CGU, órgão responsável pelo combate aos corruptos, assim como fizeram em 1964, os mesmos de sempre insistem em afirmar que a corrupção foi inventada agora e que a impunidade reina. Há corrupção, mas existe o combate, pois centenas de servidores públicos foram cassados nestes últimos anos, o que nunca havia acontecido na história. Entretanto, a mídia tem pautado já há vários anos que a corrupção é a maior de todos os tempos, além de que a política, os políticos e os partidos não prestam. Tudo isso com a finalidade de manipular a sociedade para que tenham mais facilidade para preservar o controle ideológico da população, sem destacar que somente a organização e luta da própria sociedade poderá mudar os rumos da história.

Estamos em plena Copa do Mundo, organizada pela FIFA - um grupo privado formado por pessoas conhecidas pela prática do tráfico de influência e corrupção em todo o planeta -, vivendo uma overdose de futebol nesses dias, momento propicio para tentar entender a força da participação social. O Comitê Popular contra a Copa tentou fazer manifestações massivas para denunciar a forma que o evento foi realizado, não tendo conseguido até o momento reviver as mobilizações de junho de 2013. O povo está na frente das televisões assistindo os jogos, atento e completamente paralisado.

Tudo isso mostra que há uma enorme fragilidade orgânica da população brasileira, pois mesmo estando vivendo o período democrático mais longo da história, não há a consciência necessária para enfrentar a força dos detentores do grande capital, menos ainda um nível de organização capaz de dar continuidade às conquistas obtidas a partir das mobilizações de junho de 2013.

Muitos partidos mais ligados ao povo e de esquerda acabaram se isolando, alguns em grandes salas do poder, outros, estão crentes que foram os escolhidos por alguma divindade e se sentem donos da verdade. Por isso, fortalecer a participação social, como previsto no decreto presidencial, através dos Conselhos que debatem política pública, retomando às mobilizações de massa, utilizar os meios virtuais para debate, organização e propagação de lutas torna-se fundamental e decisivo para a garantia do aprofundamento das conquistas.

É preciso voltar a estudar a história e política, aplicando critérios e métodos de análise revolucionário, sem dogmas, mas com uma perspectiva científica, sem reproduzir modelos ou se sujeitar aos pensamentos propagados a partir do Consenso de Washington, que criou o pensamento único.

Aproxima-se mais uma eleição, quando milhares de candidatos disputaram o voto dos milhões de eleitores. É fundamental avançar, impedir de todas as formas que haja retrocesso, porém sem deixar de lado a necessidade de instrumentalizar o momento para debater a realidade, incentivar a organização e participação o trabalho permanente de conscientização e organização contra o sistema perverso e criminoso que transforma pessoas em objetos, nada mais.

Mais do que nunca é necessário a organização de militantes e movimentos revolucionários que defendam as lutas e bandeiras de interesse da maioria do povo brasileiro e dos trabalhadores de todo o mundo, enfrentando o poderio do monopólio dos veículos de comunicação e dos poderosos que concentram as riquezas. Capitular na caminhada, tornando-se instrumento da dominação a serviço do capital representa uma traição a histórica luta dos trabalhadores.

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