terça-feira, 19 de novembro de 2013

DIA 06 DEZEMBRO, DIA DE SACUDIR OS TAPETES DA JUSTIÇA



No próximo dia 6 de dezembro completa-se 25 anos do assassinato de João Carlos Batista. Na noite daquele dia, em 1988, quando ele chegava em sua residência, acompanhado dos filhos e da esposa, logo após fazer seu último discurso na Assembleia Legislativa Paraense, onde exercia o mandato de deputado estadual constituinte, recebeu um certeiro tiro na têmpora.

Por três vezes tentaram assassiná-lo. Na primeira tentativa seu pai, Nestor Batista, recebeu um tiro na cabeça. Na segunda vez, João Batista ficou três dias na UTI do Hospital dos Servidores do Estado do Pará. E em 1º de maio de 1987, três pistoleiros avançaram sobre uma manifestação para matá-lo, tendo o povo, depois de pegar um dos matadores, feito justiça na hora, com as próprias mãos.

Batista, como era conhecido, nasceu em Votuporanga (SP), e, aos 13 anos, em 1965, transferiu-se com a família para a cidade de Paragominas (PA). Permaneceram nessa cidade até 1975, quando se transferiram para a capital, Belém.

Após concluir o supletivo, aos 21 anos, ingressou no curso de Direito. Foi fundador do Centro Acadêmico do curso de Direito do antigo CESEP, atualmente UNAMA. Dirigiu a primeira greve estudantil no estado, em 1978, contra as mensalidades abusivas. Nesse período já integrava a Comissão Nacional pró-UNE, responsável pela organização do Congresso de Reconstrução da entidade, em Salvador (BA), em 1979.

Inicialmente passou a advogar para trabalhadores urbanos. Vinculou-se a várias categorias. Não tardou a se dedicar inteiramente à luta camponesa, orientando posseiros e colonos nas lutas contra os latifundiários e a violência no campo, organizando trabalhadores rurais sem terra em ocupações em muitos municípios do Pará.

Devido sua dedicação na luta ao lado dos trabalhadores, os meios de comunicação não pouparam esforços manipulando informações, passando a imagem que aqueles que se organizavam para se defender da agressão de pistoleiros e policiais que eram os violentos.

Depois do assassinato de João Batista com a morosidade da justiça, tentou-se apagar a história desse lutador do povo, como aconteceu com muitos outros. Mas a sua memória e exemplo resistem, como ele resistiu. A atuação política de João Batista durou pouco mais de 10 anos. Nesse curto período perdeu muitos companheiros: Mauro Carneiro, Chico Balela, Gabriel Pimenta, Salvador Alves dos Santos, Reginaldo Alves, José Marcião e Ariston. Todos covardemente assassinados por pistoleiros a mando de latifundiários.

Dia 06 de Dezembro de 2013 deve ser não apenas um momento de recordação e resistência dos irmãos, amigos e companheiros da época, pois antes de João Carlos Batista, depois dele e até hoje, muitos outros crimes aconteceram e continuam impunes. A convocação deve estender-se a todos os que sentem vítimas das injustiças. Mas a impunidade brasileira é única no mundo, um incentivo constante às praticas criminosas e à formação de máfias. E na Amazônia, a Justiça ainda é exceção. Muitos foram os enterrados e os desterrados pelo terror implantado e persistente na Amazônia. Advogados e defensores da igualdade social continuam a ser assassinados. Por isso, a responsabilidade sobre a data e as ações previstas em honra do inesquecível deputado é de todos.

Resgatar a memória de João Carlos Batista e daqueles que defenderam justiça social é apontar para referencias que sinalizem a importância da luta, da organização dos trabalhadores e da necessidade de se conquistar a reforma agrária para a construção de um mundo mais justo e fraterno.

O esquecimento, em nome da paz ou do medo, foi cultivado e transmitido para a geração posterior a Gabriel Pimenta, Paulo Fonteles e João Carlos Batista. Isto se forem lembrados apenas os três advogados de topo na defesa dos direitos humanos e sociais, assassinados na mesma década no Pará, pelas mesmas motivações. Foram muitos os que aceitaram, na sua vivência diária, que crimes como esses fossem "varridos para debaixo do tapete".

João Batista, presente!!

Pelo o fim da impunidade!!

o Segue a programação:

19h - STTR de Ipixuna do Pará 2/12 - 19h - Câmara Municipal de Paragominas

3/12 – 19h – Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ipixuna do Pará

4/12 – 19h – Centro de Pastorais de Mãe do Rio

5/12 – 19h – Câmara Municipal de Castanhal

6/12 – 18h as 22h – Academia Paraense de Letras

Entre os dias 3 e 6 de dezembro haverá uma exposição de fotos do deputado João Carlos Batista no hall da Assembleia Legislativa do Pará.

Informações:

Pedro César Batista

e-mail:pcbatis@gmail.com

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