segunda-feira, 22 de julho de 2013

Importância da agricultura familiar

Dados extraídos do Censo Agropecuário 2006 - Agricultura Familiar

84,4% dos estabelecimentos brasileiros são de estabelecimentos da agricultura familiar, que ocupam apenas 24,3% da área ocupada pelos estabelecimentos agropecuários brasileiros. A área média dos estabelecimentos familiares era de 18,37 hectares.

Estabelecimentos não familiares representam 15,6% do total dos estabelecimentos agropecuários e ocupam 75,7% da área total. A área média dos estabelecimentos não familiares era de 309,18 hectares.

Apesar dessa enorme disparidade no uso da terra, a agricultura familiar produzia 87,0% da produção nacional de mandioca, 70,0% da produção de feijão (sendo 77,0% do feijão-preto, 84,0% do feijão-fradinho, caupi, de corda ou macáçar e 54,0% do feijão de cor), 46,0% do milho, 38,0% do café (parcela constituída por 55,0% do tipo robusta ou conilon e 34,0% do arábica), 34,0% do arroz, 58,0% do leite (composta por 58,0% do leite de vaca e 67,0% do leite de cabra), possuíam 59,0% do plantel de suínos, 50,0% do plantel de aves, 30,0% dos bovinos, e produziam 21,0% do trigo.

A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a da soja (16,0%), um dos principais produtos da pauta de exportação brasileira. E eu complemento: e um dos principais itens de produção da agricultura não familiar.

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, Censo Agropecuário 2006 Agricultura Familiar Bolsa terra nos Estados Unidos

Por Fernando Gurgel

Porque não permitem que o Brasil faça uma Reforma Agrária digna deste nome?

Sempre que se fala em Reforma Agrária de verdade parece que o mundo vai acabar. Sabem porque?

Porque a agricultura familiar é fonte de desenvolvimento e os negativistas não querem ver o Brasil crescer. São as pequenas propriedades agrícolas que abastecem 70% dos lares brasileiros e que dão emprego e renda para a maioria dos municípios. Os Estados Unidos sabem disso, pois o forte crescimento da economia americana teve o apoio, desde o seu nascimento, da agricultura familiar.

Vide abaixo:

"Em 1862, o presidente Abraham Lincoln, estadista, promulgou a Lei da Reforma Agrária americana, a Homestead Law, que permitia ao cidadão americano requerer até 160 ha de terras públicas ao preço simbólico de 1 dólar e 25 centavos. Exigia-se que o interessado residisse no local, tivesse 21 anos, se comprometesse plantar, operar e manter suas próprias fazendas.

Essa lei Lincoln sofreu emendas que abrandaram o requisito residência e aumentava o módulo para 640 ha. Foi uma espécie de bolsa terra, possibilitando que os EUA se transformassem, no futuro, no maior produtor agrícola do mundo."

Fonte: http://www.jornalpequeno.com.br/2013/1/20/destinacao-das-terras-nos-estados-unidos-e-no-maranhao-prosperidade-e-miseria-242590Print.htm

Seguem os comentários:

Colega 1: A tendência no mundo todo é a urbanização da população. Daqui a 50 anos só viverão no campo aqueles que fazem isso por prazer. Falar em reforma agrária nos dias de hoje é retornar 100 anos na história econômica de qualquer país.

Fernando Gurgel Quem alimentará os urbanóides, nas megalópoles falidas, dentro de um modelo falido? A mãe áfrica? Duvido. Melhor apostar na agricultura familiar e tentar levar o ser humano para o campo. Em torno de municípios pequenos, mas com toda infraestrutura de saúde, educação, lazer e comodidade de uma cidade grande. Como a periferia das grandes e pequenas cidades da Europa.

Colega 1 As empresas e grandes conglomerados agrários cuidarão disso e é o que vem fazendo já a bastante tempo, com o uso cada vez menor de mão-de-obra, como acontece nas grandes indústrias e empresas urbanas. Eu acho que é muito confortável defender uma reforma agrária pensando que isso será a solução para o emprego dos milhares do pobres e miseráveis que se abriam em baixo das pontes e viadutos das grandes cidades, quando na verdade o que estamos fazendo é nos livrando deles e colocando-os em um lugar de onde saíram e que poucos querem voltar. A solução não é por aí e sim com a criação de condições para educação e treinamento deles e o fomento de empregos nas áreas urbanas.

Fernando Gurgel Os grandes centros urbanos estão esgotados. Dificilmente absorveriam o contingente humano que pode e deve ser contido em lugares onde podem ter todo o conforto de um grande centro. As pessoas procuram os centros urbanos pensando em ter um mínimo de infraestrutura que não têm no campo, próximo aos pequenos municípios. Procuram conforto nas grandes cidades e encontram apenas mais problemas e, pior, vêm somar suas demandas às demandas dos que, atualmente, não são atendidos. É apenas um somatório de problemas que os nossos governantes nunca tiveram como solucionar. O colega teria, por acaso?

Fernando Gurgel Quanto às empresas e grandes conglomerados agrários que, na sua opinião, cuidarão de nós como deuses bondosos, creio que a ideia de escravizar trabalhadores rurais não é tão boa assim. E resta saber se a legislação trabalhista pode ser ainda mais pisoteada impunemente. Assim, esses gigantes da agroindústria terão como manter subempregos que produzirão apenas para exportação. E na nossa cuia, vai sobrar farinha e rapadura, produzidas no roçado do seu Jeca.

Colega 1 Respondendo suas questões da primeira mensagem. Os grandes centros nunca se esgotarão por completo, sempre teve e sempre terá condições de absorver a mão de obra excedente do campo, é isso o que acontece há mais de 50 anos. Eles não querem os confortos de onde vieram, eles querem os daqui. Eles procuram um mínimo de infra estrutura porque aqui tem, lá não. A maioria se dar bem e uma minoria mal. Essa minoria que se dá mal é que precisa ser cuidada pelo estado, com apoio social, educação e treinamento.

Continuando, as grandes empresas cuidarão de nós porque somos os consumidores, sem nós eles não sobrevivem. Trabalhador escravo no campo acontece cada vez menos e a tendência é acabar porque não haverá, no futuro, mão de obra excedente no campo. As rapaduras continuarão a ser produzidas no roçado do Seu Jeca, será um produto artesanal e cada vez mais valorizado.

Fernando Gurgel Incentivar a maior concentração de empresas, de um setor já oligopolizado, é colocar o Pais, cada vez mais, na contra mão da história. A pulverização deveria ser a regra que norteia a administração de qualquer setor da economia. São os pequenos produtores - a chamada agricultura familiar - que, HOJE, abastecem nossos Ceasas, supermercados, mercadinhos, hortifruti, etc. Agroindústria NUNCA vai fazer isso.

Colega 1 Você tem certeza disso? Agricultura familiar é sinônimo de agricultura de sobrevivência. O mini agricultor é explorado por toda a cadeia econômica, para baixo, onde eles compram os insumos e para cima onde eles vendem os produtos. Não tendo poder de negociação são explorados pelas duas pontas. É por isso que eles abandonam tudo e vem para as grandes cidades ser pedreiros, faxineiros etc.

Fernando Gurgel É porque o colega não conhece o modo como essa cadeia produtiva se organiza e vende seus produtos por preços adequados. Estou citando dados, não estou fazendo suposições. Estou narrando fatos, desde o início, não estou narrando sonhos.

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Editado por iMaque - Soluções em Sustentabilidade