quinta-feira, 13 de junho de 2013

Vândalos, governantes e serviçais do capital. Quem é quem?


Por Pedro César Batista



A mídia e o governo têm feito de forma uníssona o mesmo discurso após as manifestações populares ocorridas em São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia.

Ouvir o discurso de alguns jornalistas, serviçais de seus patrões e anunciantes, acusando o movimento de violento e vandalismo mostra que precisamos avançar muito em relação a democracia, a história e liberdade de imprensa.

É garantido pela Constituição Federal, no artigo 5º, XVI: “todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização”. Todas as manifestações realizadas têm sido ordeiras e pacíficas, até o momento que há o confronto, provocado pelas contradições existentes entre uma polícia autoritária, beirando o fascismo, e incentivada pelo discurso de alguns jornalistas e governantes.

A história da sociedade humana mostra que estas contradições não começaram agora, nem acabará na Avenida Paulista, no centro financeiro da América Latina. Não adianta os discursos raivosos propagados pela mídia.

A manipulação da informação é evidente. Para alguns jornalistas as manifestações na Turquia, no Egito e em outros países são justas e necessárias. Segundo o vômito da história, o jornalista Arnaldo Jabor, os manifestantes nesses países têm causa para lutar, enquanto no Brasil, as manifestações ocorrem porque os jovens não tem o que defender. E essa deturpação dos fatos passa a ser replicada em telejornais, jornalecos e veículos de comunicação de forma simultânea e poderosa.

Vamos aos fatos, quem são os vândalos?

Apenas na cidade de São Paulo, segundo o Ibope, o tempo médio de deslocamento diário no trânsito paulistano é de 2h49, provocando uma perda anual de um mês no tempo das pessoas. De acordo com o estudo apresentado pelo professor Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral, cada motorista perde por ano R$ 7,6 mil devido esses congestionamentos.

Por outro lado, segundo dados do IPEA, no Brasil, os 10% mais ricos detêm 75% da renda nacional, perdendo somente para a Serra Leoa, na África.

Aqui em terras verde amarela a cada cinco minutos morre uma criança de fome e pelo menos 36 milhões de brasileiros nunca sabem quando terão a próxima refeição. Mesmo com as inúmeras bolsas existentes. O déficit habitacional no país é de 23 milhões de moradias.

Os dados de organizações que combatem a corrupção indicam que a perda nos cofres públicos brasileiros provocada por fraudes atinge a casa de US$ 3,5 bilhões por ano.

De fato quem são os vândalos? Será o movimento que reivindica o direito de ter um transporte digno, público, gratuito e que todos, independente da classe social, possam usá-lo, os quais, mesmo ordeiros, depois de enfrentar a truculência policial, deixaram o prejuízo de 85 coletivos depredados, segundo a SPTrans, e R$ 36 mil causado pela destruição de vidros da Estação Trianon - Masp do Metrô.

Quando os trabalhadores, a juventude e o povo resolvem lutar por seus direitos e pela dignidade, sempre os serviçais, em todos os campos, aparecem para defender o lucro, o mercado, o privilégio e a manutenção do sistema que deixa a maioria da população dependente dos poucos poderosos que controlam a riqueza, o Estado, elegem governantes e pagam a mídia conservadora e reacionária. Não será agora que isso vai mudar.

A luta pelo retorno do preço da passagem de ônibus, com a retirada do aumento, faz parte das lutas maiores, as quais começam a sair de baixo do tapete. Muitas lutas ainda despontarão, em face das inúmeras necessidades da maioria do povo brasileiro.

O único caminho que resta aos que ainda ousam sonhar, sair às ruas e enfrentar a polícia, combater a manipulação da mídia conservadora e fascista, é seguir em combate. Se não existisse os lutadores e lutadoras do povo ao longo de milênios não teríamos obtidos os direitos existentes e ainda viveríamos na escuridão, na escravidão e sob ditaduras. Todos os direitos sociais, políticos e econômicos foram resultados das lutas dos oprimidos, que ousaram enfrentar as ordens estabelecidas.

É preciso seguir o exemplo histórico de resistência, este sempre foi o caminho, em todos os tempos da sociedade humana, para avançar na democracia e na liberdade. Os poderosos, para manter seus privilégios, riquezas e o controle do estado, começam com a calúnia, depois vem a cooptação – em voga nos tempos atuais, seguindo com a violência e a morte dos lutadores e lutadoras do povo. A luta e o enfrentamento são os únicos caminhos para conquistar a justiça social e ainda preservar o sonho de uma sociedade de homens livres.

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