quinta-feira, 7 de março de 2013

O ódio de classe transborda contra os que ousam lutar



Por Pedro César Batista

A tristeza deveria ser característica humana ao ver uma pessoa aos 58 anos falecer. Ainda mais quando esta pessoa dedicou a sua vida trabalhando para a construção de uma sociedade mais justa, buscando integrar os povos, incentivando a organização e participação da sociedade, possibilitando que o povo tivesse acesso as riquezas e propagando a soberania no pensar e agir do indivíduo.

No entanto, o que estamos vendo com a morte prematura de Hugo Chaves são discursos raivosos, violentos e agressivos, os quais mostram não aceitar que o povo pobre, moradores de favelas e camponeses possam participar da vida política e ter acesso aos seus direitos básicos, como alimentação, saúde e educação, os quais foram conquistados durante os anos de Chaves no poder.

A Venezuela é um dos maiores produtores de petróleo, o que possibilitava a sua elite passar os finais de semana em Miami e usufruir todos os luxos, enquanto a maioria da população de Caracas e do interior não conseguia satisfazer as suas necessidades básicas. Com a Revolução Bolivariana isso mudou.

Desde a primeira eleição de Hugo Chaves a população pobre começou a ser protagonista do processo. As eleições, livres e democráticas, asseguraram a continuidade da transformação pacífica que seguiu avançando. Em 2001 sequestraram o presidente Chaves e tentaram dar um golpe (A revolução não será televisionada), mas foram barrados pelo povo, que desceu dos morros e ocupou Caracas, barrando a tentativa de retorno das elites econômicas através de um golpe, que foi derrotado. A cada ação institucional a sociedade foi chamada para votar e decidir. Em todas os poucos privilegiados foram derrotados.

Enquanto aqui no Brasil, em 2006, a Rede Globo teve automaticamente renovada a sua concessão, e em outros momentos esta emissora e a TV Record desrespeitaram a legislação e a sociedade, nada ocorreu, pelo contrário. O Governo brasileiro continuou sendo um grande anunciante nesses canais. Na Venezuela o governo rompeu o monopólio e democratizou os meios de comunicação, fazendo cumprir a legislação e intervindo em um dos maiores canais de TV. O mundo liberal ficou assustado, bradou por todos os cantos e vozes que isso era inaceitável, que era ditadura e antidemocrático. Desrespeitar a legislação e a sociedade tem sido contumaz por parte dos monopolistas detentores dos meios de comunicação. Ousar enfrentá-los é um crime sem perdão. E Chaves fez isso, enfrentou estes manipuladores dos fatos históricos, propagando mentiras contra o presidente venezuelano de forma cada vez mais agressiva e feroz.

Agora, com a sua morte, verifica-se o ódio transbordar em discursos e artigos, propagados em todos os veículos de comunicação. Intelectuais financiados pelas grandes empresas e por governos liberais atacam os marcos da revolução bolivariana, acusam de todas as maneiras uma liderança que deixa o exemplo de compromisso com a democracia, com a justiça social e com a população que mais necessita.

Sempre foi assim, desde os primórdios, contra Espartacus, que ousou enfrentar o Império Romano; contra os revolucionários franceses, que depois foram traídos; contra os quilombolas, que se organizaram e enfrentaram o escravagismo no Brasil; contra os bolcheviques que tiraram um país do feudalismo e o transformaram no principal responsável pela derrota do nazismo, levando ao mundo a esperança e luzes; contra os jovens barbudos da Sierra Maestra, que colocaram fim ao bordel dos ricos de Miami. Não seria diferente com Hugo Chaves e a Revolução Bolivariana, os representantes do poder econômico e ideológico que controlam riquezas e pensamentos, através de seus poderosos meios de comunicação não fariam outra coisa, a não ser propagar o ódio, a subserviência e a mentira contra as profundas mudanças realizadas nesse país latino.

A população da Venezuela perdeu, todo o povo latino perdeu, mas, toda a população de trabalhadores, os pobres, os lutadores e lutadoras e os revolucionários do mundo perderam com a morte deste jovem combatente do povo. Seu exemplo permanecerá, assim como continuaremos nossa caminhada contra a exploração e às injustiças praticadas e propagadas pelos poderosos de sempre.

A esperança de que ainda haverá humanidade nos sonhos e resistência continua.

Vida longa a memória de Hugo Chaves.

0 comentários:

Editado por iMaque - Soluções em Sustentabilidade