quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Câmaras Municipais cheias de agricultores

Dos 57.377 vereadores que tomaram posse no país, 6.368 declararam a atividade como profissão – segunda ocupação mais comum. Para especialista, o fator é reflexo do Brasil rural. Entre as mulheres, representatividade ainda é baixa.

A missão de criar leis e fiscalizar os prefeitos está nas mãos de homens de meia-idade, de 45 a 59 anos, até 2016. A maioria é veterana e declara a atividade parlamentar como profissão. Logo atrás, aparecem agricultores e servidores públicos como os profissionais mais frequentes nas Câmaras. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), organizados pela Associação Transparência Municipal, traçam o perfil dos 57.377 vereadores brasileiros que tomaram posse na última terça-feira. Entre os principais desafios do mandato, eles vão encarar a descrença da população com a importância das câmaras municipais.

Os vereadores declararam 240 tipos de ocupação, além da categoria “outras”. O maior número entre os eleitos se autodenomina vereador (10.483). Em segundo lugar, estão agricultores (6.368). A proximidade com o poder público parece ter incentivado alguns a entrar na política: na terceira posição, aparecem os servidores públicos (5.597). Depois, surgem profissões tradicionais, como advogados e professores. Entre as 10 ocupações de destaque, está curiosamente a de motorista de transporte coletivo — vão se sentar em câmaras municipais 1.105 deles.

Para o cientista político e professor emérito da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer, a ocupação profissional declarada não tem ligação necessariamente com a qualificação dos eleitos para o cargo de vereador. “O grande número de agricultores é um reflexo do Brasil rural. São muitos municípios no interior em que o agricultor tem peso na economia e, por isso, tem como bancar a campanha. Mas não há como fazer relação entre o bom desempenho no Legislativo municipal. Diferentes profissionais podem ser bons vereadores”, avalia.

Com um tímido aumento no número de mulheres empossadas, homens são maioria mais uma vez. Nada menos que 86,66% dos vereadores eleitos são do sexo masculino. As mulheres ocupam agora 13,34% das cadeiras, um crescimento de pouco mais de um ponto percentual em relação às eleições de 2008. A maior parte dos eleitos tem entre 45 e 59 anos (38,51%), seguida de um grupo de idade entre 35 e 44 anos (34,58%). As faixas etárias com menos representantes são os mais novos e os mais velhos. Entre 18 e 20 anos, são 262 vereadores. Com mais de 80, são apenas 37.

Missão

Fleischer lembra que os vereadores são os políticos mais cobrados. “São aqueles aos quais a população tem acesso. E são a base da política: além de ter de fiscalizar as prefeituras e fazer lei, é o cargo em que é iniciada a trajetória política”, avalia. Para ele, um dos maiores desafios dos eleitos é reconstruir a imagem do Legislativo municipal. “Sucessivos escândalos colaboraram para que as câmaras municipais se tornassem malvistas pelos brasileiros.”

O presidente da União dos Vereadores do Brasil (UVB), Gilson Conzatti, admite que a falta de qualificação também pesa negativamente na imagem das Câmaras. “A população não sabe qual é a função do vereador. Muitas vezes, pensa que é apenas fazer um favor, ‘quebrar um galho’ dos moradores, e, por isso, não a valoriza. O problema é que muitos vereadores também assumem o cargo sem saber”, afirma. Ele diz que a entidade quer criar uma escola de formação e fará encontros este ano para discutir o tema. A UVB também levanta uma bandeira que dê visibilidade ao Legislativo municipal: pretende entrar na briga pelo pacto federativo.

13,34%

Quantidade de cadeiras que serão ocupadas por mulheres

Fonte: Correio Braziliense

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