quinta-feira, 21 de junho de 2012

Justiça social e ambiental, uma luta permanente

Por Pedro Cesar Batista*

O Rio de Janeiro se tornou o centro do Planeta durante a Rio + 20 e a Cúpula dos Povos, eventos paralelos, ocorridos entre os dias 13 e 23 de junho, que reuniu governos e delegações oficiais de centenas de países e, na atividade da sociedade civil, milhares de organizações e ativistas não governamentais para debater as questões ambientais e o desenvolvimento sustentável.

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, o evento oficial, Rio +20, coordenado pela ONU, contou com a presença de mais de 100 chefes de Estado e de Governos, e com delegações de 193 países. As discussões oficiais, iniciaram antes do evento ser aberto oficialmente, com a burocracia governamental debatendo a elaboração do documento que apresentaria os caminhos para os países assegurarem as políticas públicas capazes de evitar os desastres ambientais que se tornam cada vez mais comuns.

O que se verificou durante os debates, mesmo existindo um discurso afirmando que se pretendo combater a pobreza e efetivar um desenvolvimento sustentável, foi um discurso majoritário defendendo a mercantilização e financeirização dos bens comuns, usando o argumento de uma economia verde, que na realidade é uma nova roupagem ao capitalismo, o principal causador dos danos ambientais e sociais. Os direitos humanos, a dignidade humana e ambiental conquistas em décadas de lutas foram, mais uma vez, colocados em segundo plano.

Por outro lado, na Cúpula dos Povos, milhares de organizações da sociedade civil realizaram um evento paralelo ao oficial, com a realização de debates sobre a continuidade da luta dos diversos segmentos presentes. No dia 20, quarta-feira, realizaram uma manifestação com mais de 100 mil participantes, onde a tônica principal foi o combate ao capitalismo e contra a mercantilização da vida. Estavam presentes ONGs, sindicatos, ambientalistas, movimentos culturais, indígenas, minorias, partidos e ativistas pelos direitos humanos. Por uma justiça social e ambiental foi a principal palavra de ordem dos participantes.

A contradição entre o evento oficial, que reuniu os governantes, e a Cúpula dos Povos mostra que esse debate continuará por muito tempo. Por isso a é preciso a atenção cotidiana de toda a sociedade com os atos individuais e coletivos. Cada pessoa pode fazer a diferença, cuidando do meio ambiente, respeitando as pessoas, votando em pessoas comprometidas com essa luta, sem deixar de ter como parâmetro a construção de novas relações econômicas e sociais, fruto da execução de Políticas Públicas que valorizem a vida, propaguem a solidariedade e fortaleçam os mais necessitados, sem privilegiar os privilegiados, o lucro e a busca desesperada pelo poder.

Reunir governos de mais de uma centena de países e, simultaneamente, dezenas de milhares de ativistas das lutas do povo é um importante passo, por isso a tarefa dos que querem construir a justiça social e ambiental deve ser permanente, continuando o debate, a mobilização e organização popular, comunitária, cultural e ambiental, exigindo dos governantes a aplicação dessas políticas publicas que garantam os direitos humanos e ambientais.

Pedro César Batista, jornalista e escritor.

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