domingo, 4 de dezembro de 2011

Pará: Por que votar Não e Não?




Por Pedro César Batista

O plebiscito do dia 11 de dezembro simboliza a tentativa de dividir as riquezas do Pará em busca de maiores facilidades para a manipulação dos recursos públicos. É dividir a riqueza para não distribuir, apesar do discurso dos separatistas dizer o contrário, haja vista que em nenhum estado brasileiro, nem mesmo os mais recentes, como Tocantins, mostraram a divisão faria ser diferente. Neste estado, oriundo do Goiás, o ex-governador Marcelo Miranda foi cassado por abuso de poder econômico e há investigações no governo atual que envolve o desvio de quase um bilhão de reais, conforme denúncia pública do GAECO /MP do Estado de São Paulo. A quadrilha atuava em São Paulo e Tocantins. Significa que a divisão de Goiás criou a oportunidade para a formação de uma nova estrutura administrativa, possibilitando quadrilhas assaltar, ainda mais, o dinheiro público.

Para uma gestão eficiente por que não se criar regiões administrativas, com autonomia e poder de decisão. Estados com territórios grandes, como São Paulo e Minas Gerais, têm modelos que asseguram a execução de políticas públicas regionalizadas e eficazes. Nenhum fala em dividir o seu território. Há ainda experiências das regiões administrativas regionais, onde as Secretarias e Autarquias possam atender às demandas da sociedade. Os governos e a sociedade paraense são os responsáveis pela tentativa de divisão que hoje o Pará é vítima. Por que não atenderam com o verdadeiro sentimento republicano o povo paraense? Isso sim deve ser debatido.

Não será a divisão do território paraense que dará melhores condições para a aplicação dos recursos com a execução de políticas públicas, mas a efetiva democratização e transparência na gestão, com a sociedade cumprindo o seu papel no controle social. É preciso que o Pará tenha regiões administrativas autônomas, estruturadas e com poder de decisão, com a permanente fiscalização e o acompanhamento da população, através das conferências municipais e regionais, as quais devem ser respeitadas, apoiadas e incentivadas pelos governantes. Infelizmente os governantes, em todos os níveis, tem se sustentado com uma prática clientelista e de manipulação das reais necessidades do povo. Isso possibilitou que aventureiros, uns, e outros oportunistas de ocasião, pudessem se fortalecer e tentar dividir o Pará. Até a proposta apresentada no Congresso Nacional é de um estrangeiro, um senador de Roraima. E as principais lideranças que defendem a separação também não têm raízes no Estado, apenas possuem uma base eleitoral e controlam riquezas, possuindo propriedades rurais.

É preciso que a população do Pará dê uma resposta à falta de políticas públicas no dia 11 de dezembro. Primeiro, derrotando a proposta divisionista, assegurando que o Estado, território e jurisdição, permaneçam grande e única; segundo, que na eleição de 2012, procure eleger pessoas que tenham compromissos com a transparência e o fortalecimento do controle social, assim criando as condições, para em 2014, dar uma virada no Pará. E, por último, a responsabilidade pelo atraso e sofrimento do povo paraense não pode ser debitada apenas aos políticos detentores de mandatos, mas também a sociedade, especialmente aos setores organizados e ligados aos trabalhadores, à juventude e as camadas mais progressistas por permitirem que se chegasse a essa situação, onde a violência, a miséria e a desesperança predominassem.

Por isso, acredito, que a obrigação em derrotar a proposta de separação do Pará e a construção de Políticas Públicas efetivas que dê dignidade à população tapajônica, do sul do estado e da região metropolitana, sem esquecer as ilhas e o nordeste paraense é de todos. Sem exceção. Os oportunistas de todos os tipos precisam ser desmascarados. A hora é agora.

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