terça-feira, 8 de novembro de 2011

Uma luz na escuridão do comodismo

Por Pedro César Batista

Uma forte campanha de criminalização dos movimentos sociais acontece no Brasil e em todo o mundo. Propaga-se que ocupar ruas, terras, prédios públicos, fazer greves, manifestações e lutar contra os privilégios dos privilegiados é um crime. Há uma propaganda que inverte a busca dos Direitos Humanos colocando em primeiro lugar a garantia do lucro das corporações, o salve-se-quem-puder e a força beligerante de governos serviçais do sistema econômico.

No Brasil a grande imprensa consegue manipular as informações de forma tendenciosa e criminosa. Assim fazem com os Trabalhadores Rurais que lutam pela Reforma Agrária e contra o agronegócio. Usam os argumentos mais espatafúrdios para assegurar o controle da legislação e os serviços de opressão dos governantes, tentando colocar a população contra os que lutam. O mesmo se dá em relação as mudanças previstas para o Código Florestal Brasileiro. Não importam as enchentes e os danos que as mudanças climáticas provocam, pois são os mais pobres as principais vítimas e que morrem com as catástrofes naturais, pensam esses equivocados, pois todos pagarão (já pagam)um preço muito alto pela estupidez do latifúndio. No entanto, para a propaganda oficial criminosos são os que lutam pela terra para viver e trabalhar.

Em Brasília há uma destruição do cerrado no bairro chamado Noroeste e não satisfeitos com os crimes ambientais estão expulsando dezenas de indígenas que formam a Comunidade Bananal, que vive no local e tem a comprovação de estudos antropológicos da origem étnica do grupo. Recentemente um juiz autorizou a continuidade das obras no local e determinou que seja preso todos os que resistirem, sejam os índios ou os seus apoiadores. E a propaganda oficial ainda chama o local de bairro ecológico. Local que simboliza a síntese da especulação imobiliária e da destruição do cerrado.

Ao longo de 2011 professores de vários estados realizaram greves em defesa de melhorias salariais e das condições de trabalho. Do Rio Grande do Sul ao Pará os professores foram (e ainda estão, em alguns estados) às ruas exigir respeito para a profissão, que deveria ser a mais valorizada, porém ganha menos que um policial em diversos estados da federação. É preciso garantir a repressão. No Pará uma ordem judicial determinou a volta às aulas, mas os professores resistem e enfrentam a autoridade da lei que assegura o status quo, mas não defende a dignidade humana.

Na Europa, especialmente na Espanha, o movimento denominado Os Indignados marcham denunciando os políticos e o Estado. Em Nova Iorque a juventude ocupou Wall Street denunciando o sistema financeiro. Apesar da forte campanha midiática de que não adianta mais lutar, restando apenas se preparar para a competição do mercado, onde é cada um por si, ainda há os que ousam sonhar e combater o sistema.

Não faltam exemplos ao longo da história da humanidade de refluxos nas lutas pela vida, que sempre renascem com a força de um furacão que devasta a mentira e resgata a esperança na vida e na dignidade. Assim fazem os que ousam enfrentar a imposição do medo, do comodismo e do deus consumo, pois simbolizam uma tocha de fogo na escuridão que as luzes do mercado quer impor. Sempre haverá resistência, não importa a força dos opressores.

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