terça-feira, 3 de maio de 2011

Líder camponesa participa de debate




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O ciclo de debates “Compartilhando Memórias: As que não serão esquecidas” promove seu nono encontro nesta terça-feira (3), às14h, no auditório do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), no Campus de João Pessoa.

O evento contará com a presença da líder camponesa Elisabeth Teixeira. Ela vai falar sobre a sua experiência e a do seu esposo Pedro Teixeira (falecido em 1962), que fundaram no ano de 1958, a Liga Camponesa de Sapé que tinha como objetivo envolver os camponeses na luta por seus direitos. Ela vai falar também sobre o fichamento na Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS), durante o período da Ditadura Militar. O mediador será o professor Alder Júlio Calado, formado em Ciências Sociais e aposentado da UFPB, atualmente é membro do Centro Paulo Freire de Estudos e Pesquisas.

Como realização do Projeto Acervo e Memória da Repressão na Paraíba, sob a coordenação dos professores Lúcia Guerra e Giusepe Tosi, da UFPB, o ciclo de debates esta colhendo depoimentos de perseguidos pela Ditadura Militar para que exponham suas experiências que serão catalogados, e no futuro, serem mostradas aos mais jovens.


O projeto é vinculado ao Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) com o apoio do MEC e da Pró-Reitoria para Assuntos Comunitários, que está organizando o acervo do Departamento de Ordem Social e Política (DOPS). O ciclo de debates, que está na nona sessão, será gravado para a produção de um arquivo audiovisual.

Informações sobre o ciclo pelo telefone (83) 3216-7990 ou pelo correio eletrônico acervodopspb@yahoo.com.br


Perfil da Convidada - Líder camponesa brasileira nascida em Sapé, Estado da Paraíba, fundadora da Liga Camponesa de Sapé (1958), em companhia de seu marido, João Pedro, com o objetivo de envolver os camponeses na luta por seus direitos. As Ligas Camponesas vinham sendo criadas desde meados dos anos 50 com o objetivo de conscientizar e mobilizar o trabalhador rural na defesa da reforma agrária. Durante o governo de João Goulart (1961-1964), o número dessas associações cresceu muito e, junto com elas, também se multiplicavam os sindicatos rurais. João Pedro foi assassinado na cidade de Sapé, interior da Paraíba (1962) por dois policiais disfarçados, a mando de usineiros paraibanos e ela assumiu então a liderança da organização e passou também a sofrer ameaças. A morte de João Pedro sensibilizou os camponeses e a Liga, que tinha cerca de 7400 filiados, passou a ter 30 000, em dois anos. Ela tornou-se um símbolo da resistência dos trabalhadores rurais nos anos 60 no Nordeste do Brasil. Com o golpe militar, entrou na clandestinidade fugindo das forças repressivas do regime militar, trocado o seu nome para Marta, assumindo uma nova identidade, enquanto os demais líderes da luta camponesa eram assassinados (1964) e chegou a ser dada como morta pela repressão política. Reapareceu após a anistia decretada (1981) pelo governo Figueiredo, quando Eduardo Coutinho partiu em busca dos camponeses/atores para atuarem em um filme documentário, o histórico Cabra Marcado para Morrer (1981-1984). Ela reassumiu seu verdadeiro nome, e com ajuda de Coutinho conseguiu localizar seus filhos espalhados dentro e fora do país, estando inclusive um em Cuba.

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