sexta-feira, 15 de abril de 2011

Seminário lembra 15 anos do massacre de Eldorado dos Carajás

Para dirigente do MST, "reconhecer as mortes desses companheiros é fazer reforma agrária"

15/04/2011

Vinicius Mansur
Brasília (DF)

Militantes e apoiadores dos movimentos sociais e autoridades de Estado lotaram o auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, para o seminário que lembrou os 15 anos de impunidade do massacre de Eldorado dos Carajás, na manhã desta quinta (14).

Uma mística feita pelo grupo de teatro do MST, Semeadores, e o vídeo “Eldorado dos Carajás 10 anos” abriram o seminário proposto e dirigido pelo militante do MST e deputado federal Dionilso Marcon (PT-RS).

Representando a presidência da República, o secretário de Articulação da Secretaria Geral, Paulo Maldos, e o secretário executivo da Secretaria de Direitos Humanos, André Lazaro, louvaram a iniciativa. “Essa prática de homenagem e memória é fundamental para nós, lutadores do povo. Atos assim mantêm a memória viva e a indignação acessa”, disse Maldos.

O dirigente do MST, João Paulo Rodrigues, lembrou que o seminário é uma das atividades da jornada de lutas que o movimento realiza anualmente, em torno do dia 17 de abril, “dia de luta pela terra em nível nacional e internacional, reconhecido pelo Estado brasileiro, por lei assinada pelo FHC, um dos culpados desse massacre”, ressaltou. Perguntado pela imprensa sobre onde estaria o “Abril Vermelho”, o dirigente salientou que ele acontecia ali e “nas 75 fazendas improdutivas já ocupadas nesta jornada”, além das manifestações em mais de dez capitais do país.

Reivindicações

Dirigindo-se ao governo, João Paulo cobrou:

“A Dilma tem dito que combaterá a pobreza. Combater a pobreza no campo não é levar bolsa-família e cesta básica, é desapropriar o latifúndio. Nesta semana da jornada de lutas, estamos saindo de Brasília após uma difícil negociação. Mesmo com um governo progressista vemos a lentidão do Estado brasileiro. Não queremos começar esse ano como primeiro ano de governo Dilma, mas como nono ano de governo do PT. Reconhecer as mortes desses companheiros é fazer reforma agrária.”

Ainda em sua fala, o dirigente cobrou do Congresso um posicionamento contra o fechamento de escolas no campo e apontou que a dívida dos assentados e o descontingenciamento de todos os recursos da educação eram as pautas emergenciais que o movimento cobrava em Brasília. Entretanto, o MST pretende voltar com outros movimentos a capital federal, ainda este ano, “com uma plataforma para quatro anos, que vá além das medidas emergenciais”, disse.

O dirigente destacou a importância de uma atividade dentro do Congresso Nacional, “que sempre foi uma barreira para nós e onde a representação do latifúndio é tão forte”.


“Demorou 25 anos para a gente eleger dois sem-terra para esse Congresso, que sempre foi uma barreira para nós. Aqui onde é tão forte a representação do latifúndio. Poder organizar um seminário nessa casa é muito importante.”

O deputado federal Valmir Assunção (PT-BA), também oriundo das fileiras do MST, qualificou o seminário como uma forma de dizer aos latifundiários que os sem-terra também têm expressão dentro da Casa. “Porque aqueles que lá fora dizem que são a favor dos mais pobres, aqui dentro votam a favor da manutenção da estrutura agrária. Digo isso porque ontem tinha uma medida provisória que concedia incentivos fiscais e um deles era para a Monsanto. Nós conseguimos derrotar essa medida impedindo que essa empresa tenha mais lucro para destruir a vida das pessoas. Dissemos ao Caiado que se ele quer discutir a reforma agrária, discutiremos. Mas também discutiremos o agronegócio”, concluiu.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), a liderança do Movimento de Moradia do Centro (MMC), Gegê e o embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Arveláiz, também compuseram a mesa.

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