terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Protesto pede justiça para caso Zé Maria

VALE DO JAGUARIBE (27/12/2010)

No total, 240 velas foram utilizadas para escrever a palavra “justiça” em frente à Câmara de Vereadores de Limoeiro do Norte. Os manifestantes também denunciam a revogação da lei municipal que impedia a pulverização aérea de agrotóxicos

Oito meses depois, não se sabe quem matou o líder comunitário, que lutava contra o uso abusivo de agrotóxicos

Limoeiro do Norte. O ano de 2011 continuará de mobilização para as famílias da comunidade do Tomé e os movimentos sociais em Limoeiro do Norte. A comunidade prepara um grande evento para marcar o primeiro ano da morte do líder comunitário José Maria Filho, o “Zé Maria do Tomé”, assassinado em crime de pistolagem. A luta é contra o uso indiscriminado de agrotóxicos e a prática de pulverização aérea na Chapada do Apodi.

Na última semana, um protesto com 240 velas escrevendo o nome “justiça” foi colocado na calçada da Câmara Municipal de Limoeiro do Norte, em referência aos oito meses da morte de José Maria Filho. O sentido do protesto é também para mostrar a indignação com a revogação, pela Câmara Municipal, da lei que proibia a pulverização aérea. Os vereadores tinham proibido a dispersão do veneno por aviões, mas sob pressão recuaram na medida.

Os manifestantes fizeram orações em frente ao prédio municipal e pediram justiça e paz na região jaguaribana. Participaram militantes sociais, estudantes, pesquisadores e moradores do Tomé, especialmente Lucinda Xavier, viúva de José Maria, na companhia das filhas. “Se existe violência, mais ainda existirá resistência, e vamos fazer parte nessa luta”, afirmou Zeuza Freitas, da Central Sindical e Popular Conlutas.

Impunidade

Estudantes da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (Fafidam) levaram faixas para o protesto pedindo punição para os executores e mandantes da morte de José Maria. Os movimentos sociais preparam para abril de 2011 um evento que esperam se tornar uma marca na luta contra a opressão econômica, social e a violência contra trabalhadores rurais e urbanos no Ceará.

José Maria foi assassinado a tiros no último dia 21 de abril, quando voltava para casa, na Chapada do Apodi. Até hoje a polícia não identificou os autores do crime, e durante quase oito meses de investigação, o exame de balística não foi realizado porque o único equipamento da Polícia Civil que existe no Ceará está quebrado. O ato encerrou sob o grito de paz que já virou marca nessa luta: “Zé Maria, presente, presente, presente. Até quando? Sempre, sempre, sempre”.

Por solicitação do presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, desembargador Gercino José, o Ministério da Justiça avaliará relatório preparado pela Polícia Federal no Ceará sobre o Caso Zé Maria. A intenção é discutir uma possível entrada da Polícia Federal no caso.

A situação sobre a contaminação de agrotóxicos, bastante denunciada por José Maria, é comprovada por especialistas da Universidade Federal do Ceará (UFC) e de universidades de outros Estados, em mais de três anos de pesquisa. Até mesmo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) constatou a presença de resíduos de veneno nas águas subterrâneas da Chapada do Apodi. A família do líder assassinado acompanha o caso apreensiva. Na noite do ato com velas, na última terça-feira, também se deu a formatura escolar da filha de José Maria.

Melquíades Júnior
Colaborador

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