terça-feira, 16 de novembro de 2010

Uma semana depois da morte do trabalhador rural, assassinos permanecem impunes

Tocantins

http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=24528

Uma semana depois da morte de Gabriel Vicente de Souza Filho, o fazendeiro Paulo de Freitas e mais dois pistoleiros, responsáveis pelo crime, permanecem soltos, mostrando que existe todo um acordo com os governos burgueses e seus órgãos no sentido de manter os latifundiários impunes, incentivando com isso o massacre no campo

16 de novembro de 2010


Nessa terça-feira, 16, completa uma semana da morte do trabalhador rural Gabriel Vicente de Souza Filho, assassinado no Acampamento Bom Jesus, em Palmeirante (TO). O crime cometido pelos latifundiários local permanece, assim como todos os assassinatos de trabalhadores rurais, impune.

Gabriel Vicente de Souza Filho não resistiu aos cinco tiros que recebeu no último dia 16 de outubro pelo o fazendeiro Paulo de Freitas e mais dois pistoleiros. O assassinato do sem-terra é apenas um prenúncio do verdadeiro massacre que está para acontecer na região, o próprio fazendeiro chegou a ameaçar agentes da pastoral da terra, isso sem falar nas diversas desapropriações violentas realizadas pelo fazendeiro.

O que chama atenção é a conivência da Justiça e dos governos burgueses diante de todas as atrocidades cometidas no campo, o que mostra que a ação do fazendeiro Paulo de Freitas não é algo isolado, mas uma ação que ocorre com o aval de todos os órgãos do governo, que vale a pena salientar foram avisados mais de uma vez quanto ao crime que estava para acontecer. De acordo com a coordenação regional Araguaia-Tocantins da Comissão Pastoral da Terra (CPT), diversos relatórios revelando a situação de conflito que se desenvolvia na área, com a clara possibilidade de assassinato por parte dos latifundiários como de fato aconteceu, foram encaminhadas a órgãos públicos em nível estadual e federal. Não só nenhuma medida foi tomada para impedir o crime, como agora os assassinos permanecem soltos, como se nada tivesse acontecido.

Essa é a demonstração de que os trabalhadores sem-terra não devem esperar nada dos governos burgueses, tampouco dos seus órgãos como, por exemplo, a Justiça. Trata-se de instituições completamente atreladas aos interesses dos latifundiários, não é a toa que para incriminar um trabalhador que está lutando por sua sobrevivência, a Justiça age com uma velocidade espantosa, entretanto, quando se trata de punir os assassinos de trabalhadores rurais o que se vê é um completo silêncio, o que na prática serve como um incentivo para o massacre que a direita está organizando no campo. É preciso organizar os trabalhadores em torno da luta pelo seu direito de autodefesa. Os sem-terra só podem contar com eles mesmos, portanto, apenas estando igualmente armados é que os camponeses conseguiram barrar a ofensiva da direita. Trata-se de uma medida essencial para a sobrevivência das famílias que buscam no campo sua forma de sustento.


Acompanhe um breve resumo de como foi a ação criminosa que terminou com a morte de mais um sem-terra


Os conflitos na região de Palmeirante, Tocantins, não tiveram início com a morte do trabalhador rural, pelo contrário. A execução de Gabriel Vicente de Souza Filho, que foi alvo de diversos disparos sendo atingido por cinco deles, foi apenas a conseqüência de uma disputa que se estende desde 2007.

Mais de 30 famílias sem-terra reivindicam a criação de um assentamento no local conhecido como Fazenda Recreio, região que atualmente se divide em Fazenda Freitas (“propriedade” do fazendeiro que assassinou o sem-terra) e Fazenda Recreio II. Desde que as disputas pela terra tiveram início que os trabalhadores vêm sendo alvos de constantes ações do latifundiário Paulo Freitas.

Poucos dias antes da morte do sem-terra, o fazendeiro junto com seus capangas, organizou uma ação no assentamento, arrancando o facão e os objetos de trabalho das mãos das mulheres que estavam lavrando a terra. Diante dos relatos das mulheres, Gabriel foi até o fazendeiro para pedir que o mesmo devolvesse os facões, quando foi brutalmente assassinato na presença de uma testemunha. Aqui vale a pena destacar que no mesmo dia do assassinato do trabalhador, o mesmo havia ido a uma de Palmeirante (TO) para denunciar as ameaças de morte sofridas por agentes da pastoral.

Como se vê o crime não só estava premeditado, como havia sido anunciado para a Justiça, que obviamente não tomou nenhuma medida no sentido de impedir a morte do trabalhador, o que mostra que toda a ação ocorreu com o pleno conhecimento das autoridades local, bem como com o apoio dos mesmos. O fato de o crime ser do conhecimento de todos, tendo inclusive testemunhas, bem como o fato de os assassinos do sem-terra permanecem livres, serve de incentivo para que os mesmos continuem massacrando, torturando e executados os trabalhadores do campo.


Todo apoio a luta dos trabalhadores rurais!

Punição imediata dos assassinos de sem-terra!

Pelo direito de autodefesa dos trabalhadores do campo!

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