quinta-feira, 13 de junho de 2019

Che, uma síntese da luta por humanidade.

Se vivo fosse, Guevara completaria, neste 14 de junho de 2019, 91 anos.

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Por Pedro César Batista

Em 14 de junho de 1928, em Rosário, Argentina, nascia Ernesto de La Serna. Um modelo de ser humano, que se tornou símbolo da prática humanista, compromisso e dedicação à libertação e o fim da exploração, esta sustentada pelo egoísmo hedonista, base da sociedade capitalista, que tem provocado a miséria e o sofrimento de milhões de pessoas no planeta. Em sua curta vida, “Che”, como um homem dos pampas, sintetizou a combatividade, o companheirismo e a ousadia de um revolucionário, sem recuar, em nenhum momento, diante das dificuldades enfrentadas, demonstrou permanentemente sua confiança no povo e na luta por justiça, quando afirmava, convicto, “sejamos realistas...sonhemos o impossível”.



Assim fez, desde cedo. Formado em medicina, serviu aos necessitados em suas viagens pela América Latina, conheceu e presenciou a angústia, o abandono e a dor dos pobres e oprimidos. Visitou o Chile, Colômbia, Bolívia e Venezuela. No Perú atendeu pacientes em uma colônia para leprosos. A caminho da Guatemala, na Costa Rica, teve seu primeiro contato com um grupo de revolucionários, sobreviventes do ataque ao Quartel Moncada, realizado em 26 de julho de 1953, em Santiago de Cuba. Em 1954, quando viveu na Cidade da Guatemala, Che dedicou-se ao estudo do marxismo, foi quando conheceu Nico López, combatente de Moncada. Neste mesmo ano, Che presenciou o massacre praticado por forças mercenárias, apoiadas pela CIA, ao invadirem a Guatemala para derrubar o governo do presidente Jacobo Arbenaz, contra os apoiadores do governo. Foi quando se mudou para a Cidade do México, indo trabalhar como médico no Hospital Central.



O mundo acompanhava o que acontecia em Santiago de Cuba, após a ousadia dos jovens revolucionários em tentarem tomar o Quartel Moncada, quando dezenas de combatentes foram presos, torturados e assassinados pelo ditador Fulgêncio Batista, entre os quais Abel Santamaria, um dos líderes do movimento. Um grupo ficou encarcerado, entre eles Fidel e Raul Castro. Na hora do julgamento, Fidel realizou a sua própria defesa e do movimento, depois publicada em A história me absolverá. Campanhas em Cuba e em vários países pediam a anistia aos jovens revolucionários de Cuba, que ousaram enfrentar a sanguinária ditadura. O que terminou por ser conquistado. Fidel e outros sobreviventes, após serem anistiados, seguiram para a Cidade do México. Em julho de 1955, Che e Fidel se conheceram, com o médico se tornando membro do grupo de combatentes, liderados pelo comandante cubano, que organizou uma expedição para libertar a Ilha.

Em 25 de novembro de 1956, oitenta e dois combatentes saem de Tuxpan, no México, rumo à Ilha no pequeno yate Granma. Nos mesmos dias, em Santiago de Cuba, Frank País, realizou um levantamento que coincidiu com a partida dos revolucionários. A travessia do golfo do México levou oito dias. Chegaram a Praya Las Coloradas, na província do Oriente, e foram recebidos por bombardeios das tropas de Batista, em Alegría de Pío. Foram dispersos e a maioria morta ou capturada. Iniciou-se um combate que durou mais de dois anos, que fez aquilo que parecia ser impossível se tornar realidade, como comprova a realidade, decorridos 60 anos da vitória de 1º de janeiro de 1959, com a vitória da revolução, que comprovou a dignidade do povo cubano, que conquistou a liberdade e a justiça em sua escolha pelo socialismo.

Che, ferido na hora do desembarque, mostrou-se um combatente exemplar, fosse como médico ou comandando a Coluna que partiu da Sierra Maestra para a Província de Las Villas, onde firmou o Pacto del Pedreiro, com o Diretório Revolucionário 13 de Março, e conquistou a capital da província, Santa Clara, marco da vitória revolucionária. Fulgêncio Batista foge de Cuba e a revolução vence o combate, iniciando uma nova etapa de conquistas e efetiva libertação do povo cubano.



Em 9 de fevereiro de 1959 é outorgada a cidadania cubana a Che Guevara, pelo reconhecimento de sua efetiva contribuição revolucionária a Cuba. Antes de assumir a chefia do Departamento de Industrialização do Instituto Nacional de Reforma Agrária (INRA), Guevara viajou pela Europa, África e Ásia, visitou os países que formavam o Pacto de Bandung, integrado por 29 países que visaram a cooperação econômica e a oposição ao colonialismo imperialista. Che assumiu papel fundamental na articulação revolucionária internacional, representando a revolução e o glorioso povo cubano.



Um dos principais líderes da revolução, Camilo Cienfuegos, quando retornava de Camaguey para Havana, em 28 de outubro de 1959, após derrotar um grupo de contra revolucionários nessa província, sofreu um desastre com o pequeno avião que viajava, que caiu e desapareceu no mar. Guevara seguia sua trajetória como dirigente da revolução. Em novembro de 1959, foi nomeado presidente do Banco Nacional de Cuba; em 1960, iniciou viagens pelo mundo, visitou a União Soviética, República Democrática da Alemanha, Checoslováquia, China e Coreia do Norte; em agosto de 1961, Che fez um discurso na Conferência Econômica da OEA, em Punta del Este, no Uruguai, como chefe da Delegação Cubana; neste mesmo ano, Che Guevara assumiu o Ministério da Indústria de Cuba, mesmo período que o governo revolucionário declara o país livre do analfabetismo. Em dezembro de 1964, Che fez um discurso perante a Assembleia Geral das Nações Unidas.



Em suas visitas a inúmeros países, Guevara sempre animou a luta pela libertação dos povos. Em um encontro com Tamara Bunke, em março de 1964, discutiu a possibilidade de residir na Bolívia. Em 1965, iniciou um nova etapa revolucionária em sua vida. Enviou uma carta de despedida para Fidel Castro, partiu clandestinamente para o Congo, com o nome de Tatu. Fidel, ao ser perguntado onde Che Guevara estava respondia: “sempre estará onde seja mais útil para a revolução”. Em outubro deste ano, o comandante Fidel lê, durante uma reunião do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, a carta de despedida de Che Guevara:

“Renuncio formalmente a meus cargos no Partido, a meu posto de ministro, à minha patente de comandante e à minha cidadania cubana. Legalmente nada me vincula a Cuba, só laços de outra ordem que não se podem quebrar com nomeações.
(...)
Outras serras do mundo requerem meus modestos esforços. Eu posso fazer aquilo que lhe é vedado devido à sua responsabilidade à frente de Cuba, e chegou a hora de nos separarmos.
Quero que se saiba que o faço com uma mescla de alegria e pena. Deixo aqui minhas mais puras esperanças de construtor e os meus entes mais queridos. E deixo um povo que me recebeu como filho. Isso fere uma parte do meu espírito. Carrego para novas frentes de batalha a fé que você me ensinou, o espírito revolucionário do meu povo, a sensação de estar cumprindo com o mais sagrado dos deveres: lutar contra o imperialismo onde quer que seja. Isso me consola e mais do que cura as feridas mais profundas”.(...)

Che seguiu sua gloriosa jornada revolucionária. Em março de 1966, chegaram a Cuba os primeiros combatentes bolivianos para treinamento; em julho, Che regressou secretamente à Ilha, onde desenvolveu intensos treinamentos e partiu em novembro, com outra identidade para a Bolívia. Sua dedicação e compromisso libertador determinavam suas ações e vida. Assim seguiu sua marcha libertadora, agora indo combater na Bolívia.



Ele dedicou toda a sua vida na busca de um mundo de justiça, liberdade e justiça até ser covardemente assassinado, em 9 de outubro de 1968, após ter sido preso no dia anterior. Che, se vivo fosse, completaria, neste 14 de junho de 2019, 91 anos. Seu exemplo e ensinamentos seguem vivos e presentes nas lutas da juventude e de todos os povos do mundo, que não se sujeitam a opressão e exploração imperialista. Os EUA pensaram que ao assassinarem Che apagariam seu legado revolucionário. Enganaram-se. Che Guevara nunca deixará de ser luz, uma vereda, um exemplo a ser seguido, assim como Fidel Castro, que iluminam a caminhada por justiça e pela dignidade humana. As crianças cubanas comprovam, diariamente, ao entrarem em sala de aula quando dizem:

Pioneiros pelo Comunismo. Seremos como Che!
Hasta la victoria siempre! Patria o muerte! .

1 comentários:

José Lima da Silva filho disse...

Caro Companheiro Pedro, como sempre sua capacidade de relatar a História é mestra. Síntese em forma de Homenagem! Parabéns ao ilustre aniversariante, tb a você por este perfeito relato. Até à Vitória.Abraços, Zezinho.

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