terça-feira, 12 de novembro de 2019

A democracia do capital



Nos EUA, onde o presidente eleito teve menos votos que a segunda colocada, com a participação de menos de 50% do eleitorado, a grande imprensa apresenta o grande modelo de democracia.

Por Pedro César Batista

Sempre que as forças populares e de esquerda tentam seguir apenas a democracia burguesa, sofrem golpes, ataques, calúnias e são obrigadas a ter que se defender de calúnias e para enfrentar os crimes do imperialismo. No Brasil, logo após o segundo turno da eleição presidencial, em 2014, quando Dilma Rousseff foi reeleita, o candidato do PSDB, Aécio neves, não reconheceu o resultado. Iniciou então a campanha midiática que teve grande importância na alimentação da serpente nazifascista, que germinou.

Na Venezuela, o imperialismo e seus lacaios perderam 25 eleições seguidas, desde 1999, todas com a presença de observadores internacionais e massiva participação da população. Entretanto, o imperialismo e seus lacaios seguem afirmando que no país há uma ditadura. As eleições não valeram.

Na Bolívia, novamente, depois de perderem eleições seguidas, provocaram um golpe, com ações que causaram mortes, destruição das casas de membros do governo, saques e uma onda de violência generalizada. Milhões de dólares investidos para desestabilizar o país. Alegam, mais uma vez, que a eleição não valeu.

Em Cuba, mesmo tendo um sistema eleitoral em que a população não é obrigada a votar, mas que tem a participação voluntária de mais de 90% dos eleitores no processo, com um modelo igual ao norte americano, com a eleição de delegados que votam depois para eleger a Presidência e o Primeiro Ministro, insistem em dizer que é uma ditadura.

Nos EUA, onde o presidente eleito teve menos votos que a segunda colocada, com a participação de menos de 50% do eleitorado, a grande imprensa apresenta o grande modelo de democracia. Os EUA também realizam seguidamente invasões e agressões a dezenas de países, provocando guerras, fome e com o uso seguido do terrorismo de Estado contra os povos que não estão alinhados com eles.



No Brasil ocorreu a mesma situação. Foi preciso cassar uma presidente, prender o candidato mais forte e fazer uma campanha baseada em mentiras para eleger um mercenário do grande capital. Nada disso importou, a eleição valeu (“temos que respeitar o resultado”).

A mídia hegemônica, especialmente as Redes Globo, Record, Bandeirantes e os grandes veículos impressos, como a Folha de SP, o Estadão e outros instrumentos de propriedade das velhas oligarquias brasileiras, continua propagando mentiras, manipulando os fatos e, com violência e cinismo, repassando um discurso tendencioso, ideológico e criminoso.

A democracia do capital é assim, sustenta-se com a mentira, a violência e a manipulação dos fatos. Para isso, usam bilhões de dólares, pagos a mercenários, golpistas, assassinos e jornalistas mentirosos. Fizeram isso com a Líbia, o Iraque, no Equador, no Chile, na Bolívia, na Ucrânia e seguem atacando Cuba, Venezuela e a República Popular da Coreia. No Brasil também há uma enorme quantidade de mercenários que garantem a propagação de mentiras e a manipulação da população.

A democracia do capital é o fim do Estado de Bem-Estar Social, o desmonte dos direitos da classe trabalhadora, a imposição do machismo, da misoginia e do racismo, o contínuo ataque à vida e a dignidade humana, tudo com a entrega das riquezas dos povos e nações para o grande capital financeiro, imperialista, que tudo quer privatizar para mais lucros ter, ao mesmo tempo que deixa cada vez mais a população sem acesso às políticas sociais. A democracia do capital é a que prende crianças em jaulas, separando-as de suas famílias, impedem de terem acesso ao centro do império, é a que fuzila friamente as crianças palestinas, retirando-lhes o direito a ter seu território, sua pátria e sua cultura. O mesmo que fazem com o povo saharui, cercado e preso no deserto impedido de terem a sua pátria.

A democracia do capital é a que mata o povo de fome, de balas, doenças e assegura a ignorância e o desconhecimento da história da humanidade, impondo uma cultura de subalternização e medo.



Sem dúvida, precisa-se usar as armas e instrumentos da democracia do capital, a base do inimigo, como participar dos processos eleitorais e ter acesso ao aparelho de Estado, buscando criar as condições para elevar a qualidade de vida e consciência do povo. Isto não quer dizer abandonar a luta pela emancipação plena da espécie humana, o fim do Estado assassino da burguesia e a conquista do poder pelas classes trabalhadoras e popular para a implantação do socialismo.



A história comprova continuamente, os setores mais organizados, efetivamente unidos e conscientes de seu papel histórico conseguem transformar a realidade e manter o controle da sociedade e do Estado.

Negros, indígenas, mulheres, juventude e comunidade LGBTI+, que integram a classe trabalhadora e não são exploradores do trabalho, precisam estar juntos no enfrentamento ao capital assassino, que se mantem com o falacioso discurso de uma pretensa democracia, em que apenas uma minoria, cada vez mais reduzida, segue controlando as riquezas, a tecnologia e o futuro no mundo.

Usam discursos como empoderamento, meritocracia, empreendedorismo, prosperidade e que o esforço pessoal mudará a realidade. Negam a existência da luta de classes, propagam a divisão da classe trabalhadora, incentivam que deve ser cada um por si. E que na hora do voto poderá mudar a realidade. Falácias.

É preciso que todos os setores da sociedade que não integram a burguesia, não detêm os meios de produção e não exploram seus semelhantes, assumam a tarefa histórica de não mais se deixar enganar pelas mentiras dos poderosos, forjando a unidade e organização necessárias para defender e conquistar a emancipação humana.

O inimigo dos povos que sofrem os golpes do imperialismo, seja em que parte do planeta for, é um só. O inimigo é o capital internacional, o imperialismo, que possui seus lacaios, grandes empresários e mercenários, espalhados pelo mundo, que usufruem as riquezas produzidas pela classe trabalhadora.

A democracia do capital é uma grande mentira, busca iludir o povo e garantir a miséria, a ignorância, dividir e confundir a classe trabalhadora, ao mesmo tempo que os ricos mais ricos ficam e cresce a pobreza no mundo.

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